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Reincidência Penal: Quais as Consequências na Prática!

Reincidência penal impacta diretamente no sistema penal. Descubra o que é, como é caracterizada e quais as consequências legais e práticas!

reincidência penal
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Você já ouviu falar em reincidência penal e não sabe exatamente como ela funciona na prática? Se sim, saiba que este é um dos temas mais críticos no Direito Penal brasileiro — e pode transformar completamente o rumo de um processo criminal.

A reincidência penal está prevista na legislação e pode agravar a situação de quem já possui condenações anteriores, influenciando desde a dosimetria da pena até a concessão de benefícios como liberdade provisória.

Neste artigo, você vai entender:

  1. O que é reincidência penal e como ela é definida na lei;
  2. Quais são as consequências práticas dessa condição;
  3. Se a reincidência penal impede benefícios como liberdade provisória;
  4. Como isso impacta na audiência de custódia;
  5. Diferenças entre reincidência genérica e específica;
  6. Teses jurídicas que podem beneficiar o reincidente;
  7. Estratégias para reverter ou minimizar seus efeitos;
  8. Como um advogado especialista pode ajudar;
  9. Seus direitos mesmo sendo reincidente;
  10. Perguntas frequentes respondidas com clareza.

Se você é advogado, acusado ou familiar de alguém nessa situação — e quer entender exatamente o que esperar e como agir — este guia foi feito para você.

jorge EC

O que é reincidência penal e como ela é caracterizada na lei?

A reincidência penal é uma figura jurídica do Direito Penal que ocorre quando um indivíduo comete um novo crime após já ter sido condenado de forma definitiva por outro.

Em termos práticos, a lei brasileira considera que há reincidência quando:

  • O condenado comete novo delito depois de transitar em julgado sua condenação anterior;
  • O crime subsequente é praticado antes de completar o prazo de prova de sentença ou decisão absolutória não recorrível;
  • A condenação anterior não foi expurgada por perdão judicial, cancelamento da punibilidade ou outra causa legal de extinção da punibilidade.

Assim, a reincidência penal não depende do tempo decorrido entre uma sentença e outra, podendo ocorrer mesmo que os crimes sejam distantes no tempo.

 

Por que reincidência importa?

Porque a lei penal brasileira considera a reincidência como um fator que demonstra desprezo pelas normas sociais e pelo sistema punitivo estatal — indicando maior periculosidade subjetiva.

Na prática, isso significa que a reincidência penal pode:

  • Aumentar a pena;
  • Restringir benefícios penais;
  • Dificultar acordos ou progressões de regime;
  • Ser usada pelo Ministério Público e pelo juiz para justificar decisões mais rigorosas.

A reincidência penal está prevista no Código Penal brasileiro (arts. 63 a 66) e reforça a ideia de que o Estado pode responder de forma mais severa a quem demonstra condutas repetidas de desrespeito à lei.

 

Quais são as principais consequências da reincidência penal?

A reincidência penal traz uma série de consequências práticas que impactam diretamente no processo criminal e na execução penal. Abaixo, apresenta-se as mais relevantes:

  1. Aumento da pena (dosimetria)

Na fase de fixação da pena, a reincidência penal é considerada causa de agravo da pena. Isso quer dizer que o juiz pode incrementar os valores da pena base — dentro dos limites legais — pela demonstração de que o agente cometeu o crime mesmo já tendo sido condenado anteriormente.

  1. Juízo desfavorável na concessão de benefícios

Reincidente tem mais dificuldade em obter:

  • Liberdade provisória;
  • Relaxamento de prisão;
  • Regime mais favorável;
  • Progressão de regime;
  • Indulto ou comutação de pena.
  1. Crivo mais rígido na audiência de custódia

Quando há reincidência penal, a autoridade judicial, especialmente na audiência de custódia, tende a analisar com maior rigor a necessidade de manter a prisão.

  1. Impacto em causas cumulativas

Em crimes continuados ou conexos, a reincidência penal pode ser considerada cumulativamente com outras causas de aumento de pena — potencializando seu efeito.

Reincidência penal impede liberdade provisória e benefícios penais?

Uma das dúvidas mais comuns é se a reincidência penal impede automaticamente a concessão de liberdade provisória ou outros benefícios.

A resposta curta é: não necessariamente. A reincidência penal é um fator considerado pelo juiz, mas não elimina automaticamente a possibilidade de concessão de benefícios.

Liberdade provisória

O juiz pode negar a liberdade provisória se considerar que a liberdade do acusado representa risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. Nesse contexto, a reincidência penal pode ser usada para justificar a manutenção da prisão, especialmente se houver risco efetivo.

Entretanto, a lei não veda automaticamente a liberdade provisória ao reincidente — especialmente quando presentes elementos que demonstrem:

  • Vínculo com a comunidade;
  • Residência fixa;
  • Emprego permanente;
  • Primariedade relativa devidamente contextualizada.

Outros benefícios penais

Da mesma forma, a reincidência penal não é causa automática para impedir:

  • Progressão de regime;
  • Livramento condicional;
  • Indulto;
  • Comutação.

Esses benefícios dependerão de análise concreta do caso, do comportamento do preso e da situação subjetiva e objetiva do crime.

Portanto, a reincidência pode dificultar, mas não impedir, a concessão de benefícios.

 

Como a reincidência penal impacta o resultado da audiência de custódia?

A audiência de custódia é o momento processual em que o preso em flagrante é apresentado ao juiz para que se analise, em até 24 horas, a legalidade e necessidade da manutenção da prisão.

Papel da reincidência penal

Em uma audiência de custódia, a reincidência penal tende a:

  • Aumentar a probabilidade de manutenção da prisão provisória;
  • Justificar a necessidade de cautela maior;
  • Dificultar concessões de medidas alternativas à prisão.

Isso porque a jurisprudência e a doutrina penal entendem que a reincidência penal demonstra:

  • Maior risco à ordem pública;
  • Possibilidade de reiteração criminosa;
  • Menor comprometimento com normas sociais.

O que o advogado pode fazer

Um defensor criminal experiente pode:

  • Apresentar argumentos sólidos para relativizar a ideia de risco;
  • Demonstrar vínculos sociais fortes;
  • Apresentar provas de boa conduta recente;
  • Questionar a valoração automática da reincidência como obstáculo.

jorge FA

Qual a diferença entre reincidência genérica e específica?

Entender os tipos de reincidência penal é fundamental para avaliar o impacto jurídico no processo e na execução da pena. Isso porque a lei e os tribunais fazem distinções importantes entre a reincidência penal genérica e a reincidência penal específica, que influenciam diretamente na dosimetria da pena e no rigor da análise judicial.

  • Reincidência penal genérica

A reincidência penal genérica ocorre quando o réu é condenado por um novo crime, independentemente da natureza do crime anterior. Ou seja, os delitos não precisam ser da mesma espécie. Exemplo: um indivíduo condenado por furto simples que, tempos depois, comete um crime de ameaça.

Esse tipo de reincidência é mais comum e, embora seja considerada agravante, costuma ter impacto menos severo do que a específica.

  • Reincidência penal específica

Já a reincidência penal específica se caracteriza quando o novo crime cometido é da mesma espécie ou natureza do anterior. Exemplo típico: alguém condenado por tráfico de drogas que volta a ser preso pelo mesmo crime.

Nesse caso, os tribunais costumam interpretar como indício de reiteração da conduta criminosa, o que pode levar a penas mais duras e dificultar benefícios como progressão de regime ou liberdade provisória.

Embora ambas representem reincidência penal, a específica costuma pesar mais na decisão judicial, pois sugere um padrão de comportamento persistente e maior periculosidade social.

Portanto, compreender essa distinção é crucial na elaboração da defesa e no planejamento jurídico do caso. Um bom advogado criminalista sabe exatamente como argumentar em cada uma dessas situações para minimizar os efeitos negativos da reincidência .

 

Quais são as teses jurídicas que podem beneficiar o reincidente?

Apesar de a reincidência ser um agravante, há importantes teses jurídicas que podem beneficiar o acusado ou condenado:

  1. Tempo decorrido e alteração de personalidade
    Em alguns casos, defende-se que o tempo decorrido sem novas infrações e o comportamento social relevante indicam que a antiga condenação não mais reflete a atual personalidade do indivíduo.
  2. Eficácia de medidas extrajudiciais anteriores
    Demonstrar que o acusado participou de programas sociais, cursos de reintegração ou ações voluntárias pode relativizar a aplicação da reincidência penal.
  3. Erro na valoração de condenações
    A defesa pode demonstrar que a condenação anterior não poderia ser considerada para fins de reincidência penal, por nulidades, prescrição ou ausência de trânsito em julgado.
  4. Desconsiderar condenações extintas
    Se a pena anterior foi extinta por reabilitação, perdão judicial ou outro motivo legal, ela não pode ser usada para caracterizar reincidência penal.
  5. Teses de duplo julgamento
    Em casos de conexão entre crimes antigos e novos, a defesa pode questionar o uso cumulativo da reincidência, evitando dupla penalização por condutas correlatas.

 

Quais os caminhos para reverter ou minimizar os efeitos da reincidência?

A reincidência penal não é um destino irreversível. Com estratégia e conhecimento jurídico, é possível mitigar seus impactos. Veja os principais caminhos:

  • Revisão criminal ou anulação da condenação anterior
    Comprovando vícios processuais ou novas provas, é possível anular a sentença anterior e eliminar a reincidência penal.
  • Provas de reintegração social
    Comprovar trabalho fixo, vínculos familiares, participação em cursos ou programas sociais pode influenciar o juiz a relativizar a gravidade da reincidência penal.
  • Impugnação da reincidência no processo atual
    Em algumas situações, é possível alegar decadência ou inexequibilidade da pena anterior como forma de excluir a reincidência.
  • Atuação firme na audiência de custódia
    O advogado pode demonstrar que, apesar da reincidência penal, o acusado tem condições de responder ao processo em liberdade.

Essas medidas devem ser conduzidas por um advogado com sólida formação e experiência em Direito Penal, pois exigem conhecimento técnico e argumentação precisa.

Como um advogado especialista em Direito Criminal pode ajudar quem é reincidente?

Quando lidamos com reincidência penal, a atuação de um advogado criminalista experiente é fundamental para garantir que os direitos do acusado sejam respeitados.

Veja como um especialista pode ajudar:

  • Análise minuciosa do histórico criminal
    Nem toda condenação pode ser usada para reincidência penal. O advogado verifica os critérios legais com precisão.
  • Elaboração de teses defensivas específicas
    A defesa pode incluir argumentos de exclusão da reincidência, violação de garantias e pedidos de desclassificação penal.
  • Intervenção estratégica em audiências
    Seja em audiência de custódia, instrução ou júri, o especialista saberá conduzir a defesa com autoridade e foco na reversão da prisão.
  • Representação em ações revisionais
    Um especialista pode propor revisão criminal para reverter condenações passadas que ainda produzem efeitos jurídicos.

Com profundo conhecimento técnico e sensibilidade para a situação do réu, o advogado criminalista é a peça-chave para proteger o direito de liberdade mesmo diante de uma reincidência penal.

 

Saiba seus direitos mesmo sendo reincidente

Ser reincidente não significa perder todos os seus direitos. A reincidência penal não anula as garantias fundamentais previstas na Constituição Federal e no Código de Processo Penal.

Veja alguns dos direitos que continuam válidos mesmo em caso de reincidência:

  • Ampla defesa e contraditório
    Todo acusado tem direito à defesa técnica e ao contraditório durante todo o processo penal.
  • Presunção de inocência até o trânsito em julgado
    Mesmo com condenações anteriores, o réu tem o direito de ser considerado inocente no novo processo até que se prove o contrário.
  • Recurso contra decisões desfavoráveis
    Toda decisão judicial pode ser impugnada por meio dos recursos cabíveis.
  • Análise individualizada da situação penal
    Cada caso deve ser analisado isoladamente. A reincidência penal não pode ser usada como justificativa para penalizações automáticas ou desproporcionais.
  • Direito à dignidade e integridade física
    Mesmo preso, o condenado reincidente tem direito à integridade moral e física, conforme o artigo 5º da Constituição Federal.

Portanto, conhecer seus direitos é essencial. E garantir que sejam respeitados, é tarefa do advogado de defesa.

A reincidência penal é um fator que pode agravar consideravelmente a situação do acusado no processo criminal, refletindo na pena, nos benefícios e na forma como o Estado a enxerga. No entanto, ela não é definitiva nem insuperável.

Com um bom acompanhamento jurídico, é possível:

  • Identificar erros formais ou processuais;
  • Formular teses defensivas eficazes;
  • Demonstrar comportamento social positivo;
  • Reduzir ou eliminar os impactos da reincidência penal.

A equipe da Reis Advocacia, já ajudou centenas de clientes em situação de reincidência penal a garantirem seus direitos, alcançarem liberdade provisória e reverterem injustiças.

Este artigo te mostrou que há soluções, caminhos e argumentos mesmo nos cenários mais difíceis. A atuação rápida e técnica de um advogado criminalista pode mudar o rumo de uma condenação.

Fale agora mesmo com um dos nossos advogados especializados em reincidência penal. Estamos prontos para ouvir sua história, analisar o seu caso com cuidado e montar a melhor estratégia de defesa.

jorge EC

Perguntas frequentes sobre o tema

  1. O que é reincidência penal?
    Reincidência penal é quando uma pessoa pratica novo crime após condenação definitiva por outro. Essa condição é usada como agravante na pena. Serve como indicativo de que o agente não se ressocializou.
  2. Toda nova infração configura reincidência penal?
    Não. Para haver reincidência penal, a nova infração precisa ser cometida após o trânsito em julgado da condenação anterior. Infrações simultâneas ou sem condenação anterior não se enquadram.
  3. A reincidência penal aumenta automaticamente a pena?
    A reincidência penal é um agravante legal, mas o juiz deve fundamentar esse aumento. Ela influencia na dosimetria, mas não se aplica de forma automática. Cada caso exige análise concreta.
  4. Reincidência penal impede liberdade provisória?
    A reincidência penal não impede automaticamente a liberdade provisória. No entanto, pode ser usada pelo juiz para justificar a prisão preventiva. Tudo depende do contexto processual.
  5. Qual a diferença entre reincidência genérica e específica?
    A reincidência penal é genérica quando os crimes são de naturezas diferentes. Já é específica quando o novo crime é da mesma espécie do anterior. A específica costuma ser mais gravosa na prática.
  6. É possível excluir a reincidência penal do processo?
    Sim, se a condenação anterior for anulada, reabilitada ou houver erro processual, a reincidência penal pode ser afastada. Isso depende de ação judicial adequada. Um advogado pode propor revisão criminal.
  7. A reincidência penal impede progressão de regime?
    Não impede, mas pode dificultar. A reincidência penal é um critério que pode ser considerado negativamente na análise da progressão. No entanto, bom comportamento e tempo de pena cumprido também contam.
  8. O juiz é obrigado a manter preso quem é reincidente?
    Não. A reincidência penal é um dos fatores analisados, mas o juiz pode conceder liberdade dependendo das circunstâncias. A decisão deve ser sempre fundamentada.
  9. Posso recorrer se for considerado reincidente de forma errada?
    Sim. Caso a reincidência penal tenha sido aplicada de forma indevida, é possível recorrer e pedir sua exclusão do processo. Isso pode alterar significativamente o resultado da ação penal.
  10. Um advogado pode anular os efeitos da reincidência?
    Sim, com teses jurídicas adequadas, um advogado pode reduzir ou anular os efeitos da reincidência penal. A defesa pode contestar a legalidade ou relevância da condenação anterior. A estratégia depende do caso.

 

Leia também:

 

Referências:

 

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DR JORGE GUIMARAES NOVO

Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203

Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.

Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).

Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.

Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.

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