Como saber se a tornozeleira está sendo monitorada?
O monitoramento de tornozeleira eletrônica é um mecanismo essencial no sistema penal brasileiro, utilizado para garantir que uma pessoa cumpra medidas cautelares ou pena em regime semiaberto ou domiciliar. Desde o primeiro momento em que a tornozeleira é colocada, ela passa a ser monitorada por centrais de vigilância, que funcionam 24 horas por dia. Mas como saber se essa vigilância está ativa?
Primeiramente, é importante compreender que todo o processo de monitoramento é baseado em tecnologia de rastreamento via GPS. Isso permite que o equipamento envie sinais constantes para a central de controle. Sempre que ocorre uma perda de sinal, rompimento ou qualquer comportamento anormal, o sistema gera um alerta automático.
Alguns sinais de que a tornozeleira está sendo devidamente monitorada incluem:
- Luzes de funcionamento ativo, como a luz azul (falaremos mais adiante);
- Apitos ou sinais sonoros em caso de falha ou tentativa de rompimento;
- Contato direto da central de monitoramento em caso de qualquer irregularidade.
O usuário também pode receber mensagens de alerta através de SMS, chamadas telefônicas ou visitas de servidores da justiça. Tudo isso indica que o monitoramento está sendo efetivo.
Sob o ponto de vista jurídico, o uso da tornozeleira eletrônica está previsto na Lei de Execução Penal (LEP), especialmente após a reforma introduzida pela Lei nº 12.258/2010, que permitiu expressamente a fiscalização eletrônica como medida alternativa à prisão preventiva e ao cumprimento de pena.
Saber se o monitoramento está ativo é fundamental para que o custodiado compreenda os riscos do descumprimento e para garantir a legalidade de sua situação. Ignorar esse fator pode gerar graves consequências legais, como a regressão de regime ou revogação da medida cautelar.
Diante disso, é essencial estar atento a sinais visíveis e comportamentos da tornozeleira. Em caso de dúvida sobre o monitoramento, recomenda-se procurar imediatamente um advogado especializado, capaz de avaliar a situação e adotar as providências jurídicas adequadas.
O que significa quando a tornozeleira apita vermelho?
O monitoramento da tornozeleira eletrônica também se expressa por meio de sinais sonoros e visuais, como o famoso “apito vermelho”. Mas o que, de fato, esse alerta significa?
Quando uma tornozeleira eletrônica emite um apito acompanhado da luz vermelha, isso indica que há uma anormalidade no sistema de monitoramento. Pode significar:
- Baixo nível de bateria;
- Perda de sinal GPS;
- Desconexão do carregador;
- Tentativa de violar o equipamento;
- Saída de área permitida.
Cada alerta é automaticamente comunicado à central de monitoramento, que pode entrar em contato com o monitorado ou acionar as autoridades competentes. O sistema é preciso e funciona com um banco de dados que registra todos os movimentos e falhas.
Do ponto de vista jurídico, a jurisprudência brasileira entende que a tentativa de burlar ou violar a tornozeleira pode configurar falta grave, ensejando a regressão do regime ou até mesmo a prisão preventiva, conforme o artigo 118, inciso I, da LEP.
Portanto, não se deve ignorar qualquer tipo de apito ou alerta emitido pela tornozeleira. Um advogado especialista pode avaliar o histórico de ocorrências e oferecer uma orientação jurídica fundamentada, evitando prejuízos maiores ao monitorado.
O que acontece se romper a tornozeleira eletrônica?
Romper o equipamento de monitoramento é um dos atos mais graves que um custodiado pode cometer. Ao detectar o rompimento, a central dispara um alerta imediato para as autoridades policiais, que podem realizar a prisão em flagrante do responsável.
Esse tipo de conduta é interpretado como descumprimento de medida judicial, o que acarreta consequências severas, como:
- Revogação de medidas cautelares;
- Recolhimento ao sistema prisional fechado;
- Resposta por crime autônomo, como dano ao patrimônio público (art. 163 do CP);
- Reabertura de processos penais ou execução de penas suspensas.
A jurisprudência tem sido rigorosa nesse sentido. Decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmam a possibilidade de regressão de regime mesmo quando o rompimento é por negligência, e não dolo.
Cabe ao advogado especialista atuar com urgência nesses casos, buscando comprovar eventuais falhas técnicas, acionar perícias e apresentar a defesa no processo.
Romper a tornozeleira não deve ser encarado como opção ou escape. Além de ser crime, é uma afronta direta à determinação judicial. Todo monitoramento exige respeito e responsabilidade, sob pena de comprometer a liberdade do próprio custodiado.
Qual a distância permitida para quem usa tornozeleira?
O monitoramento por tornozeleira eletrônica também se baseia em zonas de inclusão e exclusão, definidas pelo juiz responsável pela medida. Em outras palavras, existe uma delimitação geográfica onde o monitorado pode ou não circular.
A distância permitida varia conforme a decisão judicial, mas em geral segue padrões como:
- Permissão de circular dentro de sua residência e local de trabalho;
- Proibição de aproximação a determinadas pessoas (ex: vítima);
- Restrição a determinadas regiões ou bairros;
- Horários fixos para deslocamento (ex: das 7h às 18h).
Descumprir essas distâncias acarreta alertas de monitoramento, que são registrados como ocorrências e podem ensejar advertência judicial ou penalidades mais severas.
A LEP e o Código de Processo Penal estabelecem a obrigatoriedade de cumprimento integral das medidas. Nesse contexto, a atuação de um advogado é essencial para esclarecer as condições impostas, negociar flexibilizações quando possível e evitar o descumprimento involuntário.
Respeitar os limites de distância é respeitar a liberdade condicional concedida. Por isso, compreender bem as zonas de monitoramento é essencial para evitar complicações legais.
O que significa a luz azul na tornozeleira?
Diferente da luz vermelha, a luz azul na tornozeleira eletrônica indica conexão ativa e funcionamento normal do monitoramento. Ou seja, o sistema está recebendo sinal e acompanhando os movimentos do custodiado.
Essa luz geralmente pisca de forma constante e pode estar acompanhada de um leve som ao conectar o carregador. Ela é um sinal positivo, e sua presença indica que não há problemas no sistema.
O monitoramento eficiente depende dessa estabilidade de sinal. Por isso, se a luz azul desaparecer ou for substituída por vermelho ou amarelo, é sinal de que há falhas a serem corrigidas.
O STJ já reconheceu que falhas técnicas no equipamento não podem ser imputadas automaticamente ao custodiado, desde que devidamente comprovadas. Aqui, o papel do advogado é mais uma vez essencial para garantir que a responsabilidade seja corretamente apurada.
Como um advogado especialista pode ajudar nesse processo?
O monitoramento por tornozeleira eletrônica, embora seja uma alternativa ao encarceramento, envolve um conjunto complexo de regras, obrigações e riscos jurídicos. Por isso, contar com um advogado especialista em tornozeleira eletrônica e monitoramento é fundamental para garantir o cumprimento correto das condições impostas e proteger a liberdade do cliente.
O advogado atua de forma estratégica em diversas frentes:
- Análise da legalidade da medida – Muitas vezes a imposição da tornozeleira pode ser questionada judicialmente, especialmente em casos de ausência de fundamentação ou violação de garantias;
- Acompanhamento do cumprimento das medidas – O profissional orienta sobre zonas de exclusão, horários, luzes e sinais da tornozeleira;
- Atuação em caso de falhas técnicas – Problemas de sinal ou carregamento indevido não podem ser responsabilizados ao custodiado sem prova robusta;
- Defesa em caso de descumprimento – Caso haja registro de infrações, o advogado poderá atuar para evitar a regressão de regime ou revogação de medidas cautelares;
- Pedidos de flexibilização – Mudança de residência, trabalho ou rotinas podem exigir revisão das medidas impostas, sendo o advogado o canal legítimo para essa requisição.
A atuação jurídica especializada garante que os direitos do monitorado sejam respeitados em todas as fases do processo. Com o apoio da equipe da Reis Advocacia, composta por advogados experientes na área penal e de execuções penais, é possível evitar injustiças, garantir a legalidade das medidas e preservar a dignidade do custodiado.
Monitoramento legal, liberdade garantida
O monitoramento por tornozeleira eletrônica é uma alternativa eficaz ao encarceramento, mas exige do custodiado o conhecimento das suas obrigações legais e o acompanhamento jurídico especializado. É exatamente neste ponto que a Reis Advocacia atua com excelência.
Nossa equipe, já auxiliou dezenas de clientes em situações semelhantes, garantindo o respeito à legalidade, evitando injustiças e preservando a liberdade de quem enfrenta um dos momentos mais difíceis da vida.
Neste artigo, você entendeu:
- Como funciona o monitoramento da tornozeleira eletrônica;
- O significado dos sinais, luzes e alertas;
- O que acontece em caso de falhas ou descumprimento;
- A importância da atuação jurídica qualificada.
Se você ou algum conhecido está usando tornozeleira eletrônica, fale conosco agora mesmo. Agende uma consulta e tenha ao seu lado uma equipe que entende do assunto e está pronta para lutar pelos seus direitos.
Acesse nosso site e leia outros artigos relevantes sobre direito penal, execução penal e medidas cautelares. Não caminhe sozinho nesse processo. A Reis Advocacia está aqui para te orientar.
Perguntas frequentes sobre o tema
- Tornozeleira eletrônica grava áudio ou vídeo?
Não. O equipamento é restrito ao monitoramento de localização via GPS. Não há captação de som ou imagem.
- É possível viajar usando tornozeleira eletrônica?
Depende da decisão judicial. Em geral, o deslocamento para outra cidade ou estado precisa ser autorizado previamente.
- Quanto tempo dura a bateria da tornozeleira?
A maioria dos modelos tem autonomia de até 24 horas, devendo ser recarregada diariamente.
- É possível tirar a tornozeleira para banho?
Não. A tornozeleira é resistente à água e não deve ser removida em hipótese alguma.
- Há limite de tempo para uso da tornozeleira?
Sim, o tempo é definido pelo juiz. Pode variar de dias a anos, dependendo da condenação ou medida cautelar.
- A tornozeleira pode causar problemas de saúde?
Embora incomode alguns usuários, não há registros médicos que comprovem efeitos adversos físicos significativos. Qualquer problema deve ser comunicado.
- Pode trabalhar usando tornozeleira?
Sim, inclusive é um dos objetivos da medida: permitir que o custodiado mantenha sua rotina de trabalho sob monitoramento.
- Quem rompe a tornozeleira sempre volta para a prisão?
Geralmente, sim. O rompimento é tratado como grave descumprimento e pode levar à prisão imediata ou regressão de regime.
- Como sei se estou sendo monitorado corretamente?
Verifique as luzes do equipamento, mantenha-o carregado e respeite as zonas de exclusão. Dúvidas devem ser levadas ao advogado.
- Tenho que pagar algo para usar a tornozeleira?
Na maioria dos estados, o custo é do poder público. Em alguns casos, pode haver cobrança simbólica dependendo da legislação local.
Leia também:
Tornozeleira eletrônica: Quando cabe habeas corpus? – Explica em quais situações um habeas corpus pode ser utilizado para retirada da tornozeleira, crimes relacionados, direitos de quem usa e como um advogado criminalista pode ajudar no processo.
Monitoramento eletrônico pode ser retirado? Entenda! – Detalha quando o monitoramento eletrônico (tornozeleira) pode ser revogado, principais faltas graves e como solicitar a retirada junto ao Judiciário.
Tornozeleira eletrônica: Quem tem direito e quais as regras? – Aborda como funciona a tornozeleira, quem pode ser obrigado a usá-la, critérios para sua aplicação e o papel do advogado na defesa e uso do dispositivo.
Quais as consequências de violar a tornozeleira eletrônica? – Explica os impactos legais de violar ou descumprir as regras do dispositivo e como isso afeta o processo penal.
Referência:
STJ – Tempo de recolhimento domiciliar com tornozeleira pode ser descontado da pena (detração)
Terceira Seção do STJ admite detração por tempo de monitoração eletrônica
Decisão do STJ reconhece que o tempo de cumprimento de medida cautelar de recolhimento domiciliar com monitoramento eletrônico pode ser descontado da pena.
Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203
Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.
Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).
Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.
Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.




