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Delegada Natasha Dolci é indenizada em R$90 mil pelo Estado

Justiça reconhece assédio institucional contra Natasha Dolci e determina indenização de R$90 mil pelo Estado de Pernambuco por danos morais.

Delegada Natasha Dolci
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Delegada Natasha Dolci é indenizada em R$90 mil pelo Estado

No início de fevereiro de 2026, o sistema de Segurança Pública do Estado de Pernambuco foi abalado por uma decisão judicial emblemática: a delegada Natasha Dolci, servidora pública da Polícia Civil, teve sua demissão suspensa e recebeu indenização de R$90 mil por danos morais.

A motivação? Uma sequência de ações da própria administração estadual que foram consideradas assédio institucional e abuso de poder.

A história de Natasha Dolci não começa no dia da indenização. Ela se desenrola desde denúncias que a delegada fez publicamente sobre assédio moral e sexual no ambiente de trabalho, perseguições internas, remoções sucessivas e o uso de processos disciplinares como forma de retaliação por críticas que ela fez à gestão da Secretaria de Defesa Social (SDS).

O caso gerou repercussão nacional e se tornou símbolo da luta por respeito à dignidade, liberdade de expressão e proteção de servidores públicos contra práticas abusivas dentro das instituições. O que está em jogo é mais que uma indenização: é o reconhecimento de que o Estado também pode ser agente de violência institucional.

Tiago EC

Justiça condena o Estado por assédio institucional contra Natasha Dolci

A decisão foi proferida pela 3ª Vara da Fazenda Pública de Pernambuco. A magistrada entendeu que houve abuso por parte da administração ao aplicar medidas como o recolhimento da arma funcional da delegada e a exigência de comparecimento diário ao Departamento de Recursos Humanos, mesmo sem atividade prática definida. Tais atos comprometeram não apenas a segurança pessoal de Natasha Dolci, mas também sua integridade psicológica e sua imagem profissional.

Segundo a sentença:

“A insegurança de uma delegada sem sua arma, obrigada a se deslocar e comparecer a um órgão policial diariamente, afeta diretamente sua integridade física e psíquica, bem como sua imagem perante a sociedade e a própria instituição.”

A Justiça fixou o valor de R$90 mil como indenização por danos morais, considerando o abalo profundo sofrido por Natasha Dolci ao ser exposta publicamente e institucionalmente de maneira injusta.

A decisão ainda destacou que os atos administrativos extrapolaram os limites da legalidade e razoabilidade, configurando assédio institucional.

Assédio institucional e abuso de poder: o que motivou a decisão a favor de Natasha Dolci

  1. Denúncias públicas de Natasha Dolci

A delegada Natasha Dolci utilizou suas redes sociais para denunciar práticas de assédio dentro da corporação. Suas falas foram contundentes, apontando negligência por parte dos superiores e omissão das autoridades diante de abusos internos. Ela relatou perseguições, transferências injustificadas e isolamento funcional.

  1. Abertura de processo disciplinar

Como resposta às críticas, a SDS instaurou um processo disciplinar contra Natasha Dolci. Alegou-se que ela teria ferido o decoro funcional ao criticar a instituição de forma pública. O processo resultou na emissão de uma portaria de demissão, que foi posteriormente suspensa pela Justiça por irregularidades processuais.

  1. Suspensão da demissão

A Justiça reconheceu que houve cerceamento do direito de defesa da delegada no processo disciplinar e que a motivação da demissão estava ligada diretamente ao conteúdo de suas manifestações, o que afronta o direito à liberdade de expressão e à crítica institucional.

  1. Fundamentação jurídica

A decisão judicial que beneficiou Natasha Dolci baseou-se nos seguintes pilares jurídicos:

  • Violação aos princípios da legalidade, proporcionalidade e moralidade administrativa;
  • Abuso de poder e desvio de finalidade na instauração do PAD;
  • Violação à dignidade da pessoa humana;
  • Proteção à liberdade de manifestação do pensamento, conforme o art. 5º da Constituição Federal.

Como decisões como essa protegem servidores públicos e vítimas de assédio moral

A sentença que beneficiou Natasha Dolci cria um marco para a proteção dos direitos dos servidores públicos em todo o país. A seguir, veja como decisões assim podem refletir na realidade de milhares de trabalhadores do setor público:

  1. Reforço da liberdade de expressão do servidor

Críticas fundamentadas a atos institucionais, desde que não contenham ofensas pessoais, não podem ser tratadas como infrações disciplinares. Natasha Dolci demonstrou que é possível questionar estruturas sem ser silenciada.

  1. Reconhecimento do assédio institucional

A Justiça reconheceu formalmente o assédio institucional — uma forma de violência psicológica promovida pela estrutura hierárquica de órgãos públicos. Isso fortalece denúncias semelhantes em outras esferas.

Tiago NT

  1. Indenizações como ferramenta de reparação e prevenção

A fixação de valores indenizatórios significativos tem efeito pedagógico e inibidor. Quando o Estado é responsabilizado financeiramente, abre-se um caminho para melhorias na gestão e prevenção de novos abusos.

  1. Procedimentos legais cabíveis

Se você, servidor público, passa por situação semelhante à de Natasha Dolci, procure um advogado especialista e considere os seguintes caminhos:

  • Mandado de segurança;
  • Ação de reparação por danos morais;
  • Denúncia ao Ministério Público;
  • Comunicação formal à corregedoria ou ouvidoria do órgão.

A atuação correta pode não apenas reparar sua situação, mas contribuir para a construção de uma administração pública mais justa e ética.

Advogado especialista em Direito Administrativo e Servidor Público

O caso de Natasha Dolci é emblemático não apenas pela coragem da delegada em se expor diante de um sistema hierarquizado e hostil, mas também pela resposta do Judiciário, que reafirma os direitos constitucionais do servidor público frente a abusos de autoridade.

Um advogado atuante na área de Direito Administrativo, observa-se que essa decisão representa um divisor de águas para casos de assédio institucional. O reconhecimento da responsabilidade do Estado por danos morais em razão de perseguições administrativas demonstra que há, sim, limites para o poder disciplinar da Administração.

Casos como o de Natasha Dolci revelam a importância de mecanismos de controle externo e da atuação de advogados comprometidos com os direitos humanos, a legalidade e a justiça.

Casos de assédio institucional

Em casos como esse é fundamental atender com especialidade causas relacionadas ao Direito Administrativo, defesa de servidores e ações por danos morais contra o Estado.

É fundamental:

  • Atendimento humanizado e sigiloso;
  • Análise jurídica minuciosa do caso;
  • Defesa em processos administrativos disciplinares;
  • Propositura de ações de reparação e indenização;
  • Atuação estratégica para preservar sua imagem e carreira.

Tiago EC

Perguntas Frequentes sobre o tema

  1. O que é assédio institucional?
    É o conjunto de práticas abusivas exercidas por instituições públicas que visam constranger, isolar ou punir injustamente servidores, geralmente como forma de retaliação ou silenciamento.
  2. Natasha Dolci foi demitida?
    Não. A Justiça suspendeu a portaria de demissão por entender que houve violações ao devido processo legal e ao direito de defesa.
  3. Por que o Estado foi condenado a indenizá-la?
    Porque as medidas adotadas foram consideradas abusivas, ilegais e violadoras de seus direitos fundamentais, como a dignidade, imagem e integridade psíquica.
  4. Quais são os direitos do servidor público nesse contexto?
    Direito à ampla defesa, ao contraditório, à dignidade no trabalho e à liberdade de manifestação, desde que respeitados os limites legais.
  5. O que configura abuso de poder?
    É o uso da autoridade administrativa para fins ilegítimos, com desvio de finalidade ou violação de princípios constitucionais.
  6. Natasha Dolci sofreu perseguição?
    Sim, a Justiça entendeu que houve perseguição administrativa por conta de suas manifestações críticas.
  7. O que fazer se eu estiver em situação parecida?
    Procure orientação jurídica, registre formalmente os fatos e, se necessário, entre com ação judicial.
  8. É possível indenização por danos morais contra o Estado?
    Sim. Quando há abuso de poder e violação de direitos fundamentais, o Estado pode ser responsabilizado e condenado a pagar indenização.
  9. Esse caso pode servir de precedente para outros?
    Sim. A decisão pode influenciar julgamentos semelhantes, fortalecendo a jurisprudência sobre assédio institucional.
  10. Como a Reis Advocacia atua nesse tipo de caso?
    Com foco técnico, escuta ativa, estratégia processual e atuação firme em defesa do servidor público contra arbitrariedades.

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Referências:

 

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Dr tiago Reis

Dr. Tiago O. Reis, OAB/PE 34.925, OAB/SP 532.058, OAB/RN 22.557

Advogado há mais de 12 anos e sócio-fundador da Reis Advocacia. Pós-graduado em Direito Constitucional (2013) e Direito Processual (2017), com MBA em Gestão Empresarial e Financeira (2022). Ex-servidor público, fez a escolha consciente de deixar a carreira estatal para se dedicar integralmente à advocacia.

Com ampla experiência prática jurídica, atuou diretamente em mais de 5.242 processos, consolidando expertise em diversas áreas do Direito e oferecendo soluções jurídicas eficazes e personalizadas.

Atualmente, também atua como Autor de Artigos e Editor-Chefe no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados, orientações práticas e informações confiáveis para auxiliar quem busca justiça e segurança na defesa de seus direitos.

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