Ementa
“RECURSO DE REVISTA. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ACIDENTE DE TRABALHO TÍPICO. RESPONSABILIDADE CIVIL. CONFIGURAÇÃO. 1. Delineados, no acórdão regional, os pressupostos para a responsabilidade civil subjetiva, decorrente de acidente de trabalho, impõe-se o dever de
indenizar. 2. Frise-se que, na linha da teoria do “danum in re ipsa”, não se exige que o dano moral seja demonstrado. Ele decorre, inexoravelmente, da gravidade do fato ofensivo que, no caso, restou materializado. Recurso de revista conhecido e provido.” (Processo TST-RR-743-57.2014.5.02.0351)
No caso julgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), um trabalhador sofreu um acidente durante a execução de suas funções e buscou reparação por dano moral. Apesar de o Tribunal Regional ter negado o pedido inicialmente, o TST reformou a decisão, reconhecendo que a responsabilidade da empresa estava configurada e determinando o pagamento de indenização.
Essa decisão tem relevância prática para milhares de trabalhadores que já sofreram um acidente no ambiente laboral e não sabem que podem ter direito a compensação. Muitos imaginam que, para receber indenização, é necessário comprovar prejuízo material ou sequelas graves — o que não é verdade. Em diversas situações, o dano moral é presumido, especialmente quando há violação à integridade física ou emocional do empregado.
Neste artigo, você vai descobrir:
- Quais foram os principais fundamentos jurídicos adotados pelo TST.
- Como a teoria do danum in re ipsa se aplica aos casos de acidente de trabalho.
- O que essa jurisprudência ensina para outras vítimas.
- O passo a passo para garantir indenização.
Se você ou alguém próximo já viveu um acidente de trabalho, entender este precedente pode ser a chave para buscar seus direitos com mais segurança e respaldo jurídico.
Ação de indenização por acidente – Jurisprudência Comentada TST
O caso analisado pelo TST envolve um acidente típico de trabalho — aquele que ocorre durante o exercício das atividades laborais e causa lesão corporal ou perturbação funcional, com redução, temporária ou permanente, da capacidade de trabalho.
Segundo os autos, o trabalhador sofreu o acidente enquanto operava uma máquina de polimento. A perícia confirmou a ocorrência e as lesões, mas o Tribunal Regional havia negado a indenização sob o argumento de que não havia provas de redução significativa da capacidade laboral ou de dano moral.
O TST, entretanto, reformou essa decisão, afirmando que:
“Na linha da teoria do danum in re ipsa, não se exige que a ofensa a direito de personalidade seja demonstrada. Ela decorre, inexoravelmente, da gravidade do fato ofensivo que, no caso, restou materializado.”
Na prática, isso significa que, em casos de acidente, o dano moral pode ser presumido. Basta que se comprove:
- O acidente.
- O nexo causal entre o fato e o trabalho.
- A conduta culposa ou responsabilidade objetiva da empresa.
Como advogado, ressalto que esse entendimento fortalece a posição de vítimas que sofrem acidente de trabalho e enfrentam resistência de empregadores na reparação. A decisão do TST é um importante precedente para a Justiça do Trabalho.
Decisão do TST sobre acidente de trabalho e responsabilidade civil
A decisão do TST baseou-se em princípios constitucionais e dispositivos do Código Civil. A corte considerou que, uma vez comprovado o acidente e a relação com as atividades laborais, a culpa do empregador pode ser presumida — especialmente porque cabe à empresa garantir um ambiente seguro.
As principais teses jurídicas aplicadas foram:
- Art. 5º, X, da Constituição Federal – Direito à indenização por dano moral decorrente de violação à honra, à intimidade e à integridade física.
- Artigos 186 e 927 do Código Civil – Obrigação de reparar o dano causado, independentemente de culpa, quando a atividade implicar risco.
- Art. 19 da Lei nº 8.213/91 – Definição de acidente de trabalho típico e direitos do trabalhador.
- Teoria do danum in re ipsa – Presunção do dano moral diante de lesão evidente.
Além disso, o TST reforçou que a indenização tem caráter compensatório (para a vítima) e pedagógico (para o empregador), evitando que novos acidentes ocorram.
O que essa jurisprudência ensina para vítimas de acidente laboral
Essa decisão oferece lições valiosas para qualquer trabalhador que tenha sofrido um acidente no exercício de suas funções. Entre elas:
- Não é necessário provar sofrimento emocional – Nos casos de acidente, o dano moral pode ser presumido.
- Segurança é obrigação do empregador – A empresa responde pela falta de treinamento, manutenção de equipamentos ou ausência de EPIs.
- A indenização pode ser cumulativa – Além do dano moral, a vítima pode pleitear dano material e estético.
- O valor da indenização varia – O TST fixou R$ 5.000,00 neste caso, mas cada situação é avaliada individualmente.
- A Justiça reconhece a culpa presumida – Em atividades de risco, a responsabilidade da empresa é objetiva.
Para trabalhadores que passaram, essa jurisprudência mostra que é possível buscar reparação mesmo sem sequelas permanentes.
Passo a passo para garantir indenização por acidente de trabalho
Se você sofreu um acidente no trabalho, siga este roteiro para aumentar suas chances de obter indenização:
- Procure atendimento médico imediato – Guarde laudos e prontuários.
- Comunique formalmente a empresa – Solicite emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).
- Reúna provas – Fotos, vídeos, depoimentos de colegas.
- Acompanhe afastamento pelo INSS – Caso necessário, peça auxílio-doença acidentário.
- Procure um advogado trabalhista – Ele avaliará se há direito a indenização por dano moral, material e estético.
- Ajuize a ação – Com base na legislação e jurisprudência, como o precedente do TST.
Casos de acidente exigem atenção aos prazos e aos detalhes. Um erro na fase inicial pode comprometer o direito à reparação.
Advogado especialista em indenização por acidente de trabalho
Nessa jurisprudência comentada caso julgado no processo TST-RR-743-57.2014.5.02.0351 reafirma que vítimas não precisam comprovar sofrimento emocional para receber indenização por dano moral. A simples comprovação do evento e do nexo causal já é suficiente para acionar a responsabilidade do empregador.
No escritório Reis Advocacia, atuamos para garantir que trabalhadores lesados em acidentes recebam a reparação justa. Cada processo é tratado com estratégia jurídica, conhecimento técnico e compromisso com o cliente.
Se você ou alguém próximo sofreu, não espere mais. A Justiça está do seu lado — e nós também.
Acesse o tribunal e saiba mais sobre o processo:
Processo TST-RR-743-57.2014.5.02.0351
Perguntas Frequentes sobre o tema
- O que é considerado acidente de trabalho típico?
É o ocorrido durante a execução das funções, causando lesão corporal ou perturbação funcional, com redução temporária ou permanente da capacidade de trabalho. - Preciso de testemunhas para provar um acidente?
Não obrigatoriamente. Laudos médicos, CAT e documentos podem ser suficientes. - Posso pedir indenização mesmo sem sequelas permanentes?
Sim. Conforme entendimento do TST, o dano moral pode ser presumido. - A empresa sempre é responsável?
Na maioria dos casos, sim, pois a segurança é dever do empregador. Em atividades de risco, a responsabilidade é objetiva. - Qual o prazo para entrar com ação?
O prazo prescricional é de dois anos após o término do contrato de trabalho, observando-se o limite de cinco anos retroativos.
Leia também:
- Dano Moral In Re Ipsa: O Que É e Como Acontece? — Explica o que é o dano moral in re ipsa, ou seja, aquele presumido sem necessidade de comprovar sofrimento, e destaca as situações em que o Superior Tribunal de Justiça reconhece essa teoria.
- Dano Moral Presumido: Em Quais Situações Pode Acontecer — Aborda as principais hipóteses em que o dano moral é presumido pela jurisprudência, como recusa de plano de saúde, atraso na entrega de imóvel ou ofensas à honra — reforçando a teoria do dano moral implícito.
- Indenização por Danos Morais: O Que É e Quando Pedir? — Apresenta uma visão geral sobre o que são danos morais, como são calculados, exemplos típicos, e orientações práticas para ingressar com o pedido.
- 6 tipos de acidente de trabalho: Conheça e defenda seus direitos — Apresenta os diferentes tipos de acidente (típico, atípico, de trajeto), além de orientações práticas sobre prevenção, os direitos dos trabalhadores acidentados e como agir nessa situação.
- Acidentes de Trabalho: Qual a responsabilidade da Empresa? — Aborda a responsabilidade civil das empresas em casos de acidentes laborais, as normas de segurança que devem ser observadas e os passos legais para buscar reparação.
Referências:
TST – RR-743-57.2014.5.02.0351 — Acórdão da 3ª Turma do TST que reconhece o dever de indenizar em caso de acidente de trabalho típico, entendendo que o dano moral não precisa ser demonstrado, pois decorre da gravidade do fato (dano in re ipsa).
TRT-1 – ROT-XXXXX-20205010011 — Recurso ordinário que afirma que o dano moral decorrente de acidente de trabalho e/ou doença profissional é efeito de dano in re ipsa, dispensando comprovação adicional.
Dr. Tiago O. Reis, OAB/PE 34.925, OAB/SP 532.058, OAB/RN 22.557
Advogado há mais de 12 anos e sócio-fundador da Reis Advocacia. Pós-graduado em Direito Constitucional (2013) e Direito Processual (2017), com MBA em Gestão Empresarial e Financeira (2022). Ex-servidor público, fez a escolha consciente de deixar a carreira estatal para se dedicar integralmente à advocacia.
Com ampla experiência prática jurídica, atuou diretamente em mais de 5.242 processos, consolidando expertise em diversas áreas do Direito e oferecendo soluções jurídicas eficazes e personalizadas.
Atualmente, também atua como Autor de Artigos e Editor-Chefe no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados, orientações práticas e informações confiáveis para auxiliar quem busca justiça e segurança na defesa de seus direitos.





