O que a lei diz sobre reduzir a pensão alimentícia após demissão?
Perder o emprego é um momento de incertezas financeiras e emocionais. Mas, para quem paga pensão alimentícia após demissão, o medo pode ser ainda maior: como continuar pagando o mesmo valor sem renda fixa? O que acontece se o pagamento atrasar? Existe alguma forma legal de reduzir a pensão?
Essa é uma dúvida muito comum entre pais e mães que enfrentam dificuldades financeiras repentinas. A boa notícia é que a lei brasileira prevê situações em que a pensão alimentícia após demissão pode ser revista judicialmente.
Neste artigo, você vai entender:
- O que a lei diz sobre a pensão alimentícia após demissão;
- Se é possível reduzir o valor;
- Quais são os direitos de quem foi demitido;
- O que fazer se não houver acordo;
- Como entrar na Justiça;
- O papel do advogado nesses casos;
- Perguntas frequentes com respostas claras.
Se você está passando por essa situação, este conteúdo vai mostrar o caminho legal para proteger seus direitos sem prejudicar o sustento do filho.
A pensão alimentícia após demissão deve ser analisada à luz do princípio jurídico conhecido como binômio necessidade e possibilidade.
Esse princípio determina que:
- O filho tem direito à pensão conforme suas necessidades;
- O responsável paga conforme suas possibilidades financeiras.
Quando ocorre uma demissão, há uma mudança na possibilidade financeira de quem paga a pensão alimentícia. E isso pode justificar a revisão do valor.
Base legal
O principal fundamento está no artigo 1.699 do Código Civil, que diz:
“Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre ou de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo.”
Ou seja, a própria lei reconhece que a pensão alimentícia após demissão pode ser revista judicialmente.
O que o juiz analisa
Ao analisar um pedido de revisão, o juiz observa:
- Se a demissão foi real e comprovada;
- Se houve redução efetiva da renda;
- Se o alimentante está buscando novo emprego;
- As necessidades do filho.
A Justiça busca sempre um equilíbrio entre a necessidade da criança e a possibilidade do responsável.
Mas é possível reduzir a pensão alimentícia após a demissão?
Sim, é possível reduzir a pensão alimentícia após demissão, desde que a situação seja comprovada e analisada judicialmente.
É importante entender que a pensão não diminui automaticamente com a perda do emprego. Mesmo desempregado, o responsável continua com a obrigação alimentar até que a Justiça determine a alteração.
Situações em que a redução é possível
A redução da pensão alimentícia após demissão costuma ser aceita quando:
- O responsável perdeu o emprego sem justa causa;
- Não possui outra fonte de renda;
- Está em busca ativa de recolocação;
- A pensão compromete a própria subsistência.
Situações em que a redução pode ser negada
O juiz pode negar o pedido quando:
- O responsável se demitiu voluntariamente;
- Existe renda oculta ou patrimônio relevante;
- A redução prejudicaria gravemente a criança.
Cada caso é analisado individualmente. A Justiça não trabalha com regras fixas, mas sim com análise concreta das circunstâncias.
Quais os direitos de quem paga a pensão alimentícia e foi demitido?
Quem paga pensão alimentícia após demissão também tem direitos garantidos pela lei. O objetivo não é punir o responsável, mas equilibrar a situação familiar.
Direitos do alimentante desempregado
- Direito de pedir revisão da pensão
- Baseado no artigo 1.699 do Código Civil.
- Direito à análise justa da situação financeira
- O juiz deve considerar a nova realidade econômica.
- Direito de negociar extrajudicialmente
- As partes podem chegar a um acordo antes da Justiça.
- Direito à assistência jurídica
- Por advogado particular ou Defensoria Pública.
- Direito à proteção contra prisão injusta
- Se houver ação de revisão em andamento, isso pode ser considerado pelo juiz.
A pensão alimentícia após demissão deve ser ajustada à realidade financeira atual, sempre respeitando o bem-estar da criança.
O que fazer se o pai ou mãe da criança não aceitar a redução do valor?
Em muitos casos, a tentativa de acordo não funciona. O responsável que recebe a pensão pode se recusar a aceitar a redução, mesmo diante da demissão.
Nessa situação, quem paga a pensão alimentícia após demissão deve buscar a solução judicial.
Passos recomendados
- Evite parar de pagar sem decisão judicial
- Isso pode gerar execução de alimentos.
- Reúna provas da demissão
- Carteira de trabalho;
- Termo de rescisão;
- Extratos bancários.
- Tente uma negociação formal
- Preferencialmente com auxílio de advogado.
- Entre com ação revisional
- Para ajustar a pensão alimentícia após demissão.
O importante é agir rapidamente. Quanto antes o pedido for feito, menores serão os riscos de dívidas ou processos de execução.
Posso entrar na justiça para garantir esse direito?
Sim. A ação revisional é o instrumento jurídico adequado para quem precisa ajustar a pensão alimentícia após demissão.
Como funciona a ação revisional
O processo começa com a apresentação de:
- Provas da demissão;
- Comprovantes de renda atual;
- Despesas essenciais;
- Proposta de novo valor de pensão.
O juiz pode:
- Reduzir o valor;
- Manter o valor atual;
- Estabelecer pensão temporária até nova avaliação.
Tutela de urgência
Em alguns casos, é possível pedir uma decisão rápida para reduzir provisoriamente a pensão alimentícia após demissão, antes do julgamento final.
Isso evita:
- Acúmulo de dívidas;
- Risco de prisão civil;
- Comprometimento da subsistência do alimentante.
De que forma um advogado pode te ajudar em casos de redução de pensão?
O advogado é essencial para conduzir corretamente o processo de revisão da pensão alimentícia após demissão.
Principais atuações do advogado
- Análise da situação financeira
- Avaliação real da capacidade de pagamento.
- Orientação estratégica
- Definição do melhor caminho: acordo ou ação judicial.
- Elaboração da ação revisional
- Com base em provas e fundamentos legais.
- Pedido de tutela de urgência
- Para redução imediata da pensão.
- Negociação entre as partes
- Muitas revisões são resolvidas por acordo.
Um advogado especializado aumenta as chances de sucesso e evita erros que podem trazer consequências graves.
Saiba seus direitos
A pensão alimentícia após demissão é uma situação delicada, mas a lei brasileira prevê mecanismos para garantir equilíbrio entre a necessidade do filho e a possibilidade do responsável.
Se você perdeu o emprego, não precisa enfrentar essa situação sozinho. Existe um caminho legal para revisar o valor da pensão, evitar dívidas e manter o sustento da criança de forma justa.
Na Reis Advocacia, já auxiliamos diversos clientes em processos de revisão de pensão alimentícia após demissão, buscando soluções rápidas e seguras. Entre em contato com um de nossos advogados e descubra como podemos ajudar você a resolver essa situação com tranquilidade e segurança jurídica.
Perguntas frequentes sobre o tema
- A pensão diminui automaticamente após a demissão?
Não. A redução só ocorre com decisão judicial. - Posso parar de pagar pensão se estiver desempregado?
Não. Isso pode gerar execução e até prisão. - Quanto tempo leva uma ação revisional?
Depende do caso, mas pode levar de alguns meses a mais de um ano. - Posso pedir redução temporária?
Sim, especialmente se o desemprego for recente. - O juiz pode negar a redução?
Sim, se entender que a criança será prejudicada. - Preciso de advogado para pedir revisão?
Sim, na maioria dos casos. - Posso negociar diretamente com o outro responsável?
Sim, mas o ideal é formalizar judicialmente. - Quem recebe a pensão pode se recusar a reduzir?
Sim, mas o juiz pode determinar a redução. - Existe valor mínimo de pensão?
Não há valor fixo. Depende da renda e das necessidades. - Se eu arrumar outro emprego, a pensão pode aumentar?
Sim. A pensão pode ser revisada novamente.
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Advogada – OAB/PE 48.169
Advogada há mais de 7 anos, pós-graduação em Direito de Família e Sucessões, com destacada atuação na área. Possui especialização em prática de família e sucessões, em Gestão de Escritórios e Departamentos Jurídicos e em Controladoria Jurídica.
Atuou no Ministério Público do Estado de Pernambuco, nas áreas criminal e de família e sucessões, consolidando experiência prática e estratégica. Membro da Comissão de Direito de Família da OAB/PE (2021).
Autora de publicações acadêmicas relevantes sobre unidades familiares e direitos decorrentes de núcleos familiares ilícitos.
Atuou em mais de 789 processos, com foco em agilidade processual e qualidade, com uma expressiva taxa de êxito superior a 92,38%, especialmente em ações de alimentos, pensões, guarda e divórcio.
Atualmente, também é autora de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito de Família e Sucessões, com foco em auxiliar famílias na resolução de conflitos e em orientar sobre direitos relacionados a alimentos, guarda, pensão e divórcio.




