Pode habeas corpus para prisão preventiva?
Sim, é plenamente possível impetrar habeas corpus contra a prisão preventiva. Trata-se de um dos remédios constitucionais mais eficazes para preservar a liberdade de quem está sofrendo constrangimento ilegal. A prisão preventiva, prevista no artigo 312 do Código de Processo Penal, é uma medida cautelar de natureza excepcional, devendo obedecer a requisitos objetivos e subjetivos para sua validade.
O habeas corpus, nesse contexto, surge como um instrumento ágil, gratuito e eficaz para combater decretos de prisão que estejam em desacordo com os princípios constitucionais do devido processo legal, da presunção de inocência e da dignidade da pessoa humana.
Entre as principais situações em que se admite habeas corpus contra a preventiva, destacam-se:
- Ausência de fundamentação concreta da decisão judicial;
- Medidas cautelares diversas seriam suficientes;
- Prisão com base em suposições genéricas e não em fatos objetivos;
- Excesso de prazo na manutenção da prisão sem sentença.
Portanto, cabe habeas corpus sempre que a preventiva se mostrar abusiva ou ilegal, sendo o advogado criminalista o profissional mais indicado para analisar a viabilidade da medida.
Em quais casos não cabe habeas corpus?
Apesar de ser uma garantia constitucional ampla, o habeas corpus possui limites práticos e legais. Quando a prisão preventiva é decretada com base em fundamentação idônea, respeitando os requisitos legais e em contexto que justifique a medida, é improvável que o habeas corpus prospere.
Não cabe habeas corpus:
- Quando houver sentença condenatória com trânsito em julgado;
- Para discutir penas pecuniárias ou restritivas de direitos que não envolvem liberdade;
- Em decisões interlocutórias que não causam constrangimento ilegal direto;
- Quando há outro recurso específico mais adequado (como apelação);
- Quando for utilizado de forma genérica, sem apontar ilegalidade objetiva.
Na prática, o segredo está na análise técnica da decisão que decretou a preventiva. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça reiteram que o habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recursos próprios, salvo em situações excepcionais.
Qual a diferença entre prisão preventiva e definitiva?
A diferença entre prisão preventiva e definitiva é uma das questões mais relevantes dentro do processo penal brasileiro, principalmente quando falamos sobre garantias constitucionais como o habeas corpus. Entender os fundamentos, as finalidades e os efeitos de cada modalidade de prisão é essencial tanto para advogados quanto para cidadãos que desejam compreender seus direitos ou enfrentam um processo criminal.
A prisão preventiva é uma espécie de prisão provisória, de natureza cautelar, que pode ser decretada antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Ela tem como finalidade assegurar o regular andamento do processo penal, protegendo a ordem pública ou econômica, garantindo a conveniência da instrução criminal ou a aplicação da lei penal (art. 312 do Código de Processo Penal).
Por outro lado, a prisão definitiva somente ocorre após o trânsito em julgado da sentença condenatória, ou seja, quando não há mais possibilidade de recurso. Trata-se, portanto, de uma prisão de natureza punitiva, imposta como consequência jurídica de uma condenação penal definitiva.
Além dessas distinções estruturais, existem outros pontos importantes que diferenciam as duas modalidades:
Finalidade jurídica:
A preventiva visa prevenir riscos ao processo; a definitiva, punir o condenado.Momento processual:
A preventiva pode ser decretada em qualquer fase da investigação ou do processo, enquanto a definitiva somente após o encerramento definitivo da lide penal.Possibilidade de revogação:
A prisão preventiva pode ser revogada a qualquer tempo, se cessarem os motivos que a justificaram. Já a prisão definitiva somente pode ser revista por meio de revisão criminal, habeas corpus excepcional ou outras medidas previstas na legislação.Fundamentação:
A prisão preventiva exige fundamentação específica nos termos do art. 315 do CPP, enquanto a prisão definitiva é decorrência automática da condenação transitada em julgado.
Essa compreensão é essencial, por exemplo, para saber quando é cabível impetrar habeas corpus. Em casos de prisão preventiva decretada sem base legal ou de forma desproporcional, o habeas corpus pode ser a medida mais eficaz para garantir a liberdade do acusado, diante da violação de direitos constitucionais como o princípio da presunção de inocência e da legalidade.
O domínio claro dessa distinção também permite que o advogado elabore estratégias eficazes para proteger o seu cliente, prevenindo abusos de autoridade e prisões ilegais. Afinal, o Direito Penal é regido por garantias fundamentais que devem ser rigorosamente observadas por juízes, promotores e policiais.
Com isso, ao se deparar com uma prisão decretada, o advogado deve, antes de tudo, identificar se se trata de uma prisão preventiva ou definitiva, pois as medidas processuais cabíveis — como habeas corpus, pedido de revogação, apelação ou revisão criminal — variam conforme a natureza da prisão em questão.
O habeas corpus pode resultar em liberdade imediata?
Sim, o habeas corpus pode sim resultar na liberdade imediata do paciente (termo jurídico que se refere à pessoa em favor da qual se impetra o habeas corpus). Quando o tribunal reconhece que a prisão preventiva é ilegal, desproporcional ou desnecessária, a concessão do habeas corpus pode determinar a soltura imediata.
Casos comuns que ensejam liberdade:
- Falta de fundamentação concreta na decisão de prisão;
- Condições pessoais favoráveis (primariedade, residência fixa);
- Situações de risco como doença grave ou gravidez;
- Substituição por medidas cautelares diversas.
Contudo, nem sempre a decisão é imediata. Em alguns casos, o tribunal pode conceder liminar em habeas corpus, o que garante a liberdade enquanto o mérito ainda será julgado. Em outros, a decisão só é proferida após manifestação do Ministério Público e análise mais aprofundada.
Como um advogado especialista pode ajudar nesse processo?
Contar com um advogado criminalista especialista é decisivo na luta contra a prisão preventiva. Esse profissional possui o conhecimento e a experiência necessários para analisar a legalidade da prisão, identificar falhas na decisão judicial e formular o habeas corpus com os fundamentos mais adequados.
O que um advogado especialista faz:
- Analisa tecnicamente o decreto de prisão preventiva;
- Identifica vícios como falta de fundamentação ou excesso de prazo;
- Formula tese jurídica coerente com jurisprudência atualizada;
- Impetra habeas corpus com pedido liminar para soltura imediata;
- Atua junto aos tribunais superiores em casos mais complexos.
Além disso, o advogado especialista em prisão preventiva pode utilizar precedentes favoráveis de tribunais superiores, doutrina e teses jurídicas robustas para embasar o pedido. Por isso, quem está enfrentando esse tipo de prisão deve procurar ajuda jurídica com urgência.
Neste artigo você entendeu que é possível sim entrar com habeas corpus para revogar a prisão preventiva, desde que estejam presentes requisitos como ilegalidade, falta de fundamentação ou outras violações processuais. Destacamos as diferenças entre prisão preventiva e definitiva, esclarecemos quando não cabe habeas corpus, e mostramos como um advogado especialista pode ser decisivo para obter a liberdade do cliente.
A Reis Advocacia possui uma equipe especializada em Direito Penal, com ampla experiência em habeas corpus, prisões preventivas e especialistas em reverter prisões ilegais e que já ajudou dezenas de pessoas a reconquistarem sua liberdade.
Se você ou alguém próximo está enfrentando uma prisão preventiva, entre em contato conosco agora. Podemos ajudar a mudar essa realidade com estratégia, rapidez e responsabilidade.
Leia outros artigos em nosso blog sobre prisão em flagrante, revisão criminal e audiência de custódia.
Perguntas frequentes sobre o tema?
- Cabe habeas corpus em toda prisão preventiva? Depende. Cabe quando a prisão for ilegal, abusiva ou desnecessária.
- Habeas corpus é rápido? Pode ser. Com liminar, a decisão pode sair em poucos dias.
- O juiz pode negar o habeas corpus? Sim, se entender que a prisão preventiva está devidamente fundamentada.
- E se o habeas corpus for negado? Cabe recurso para tribunais superiores, como o STJ e STF.
- Posso entrar com habeas corpus sem advogado? Sim, mas é altamente recomendável contar com advogado especialista.
- A prisão preventiva pode virar definitiva? Sim, após sentença condenatória com trânsito em julgado.
- Medidas cautelares podem substituir a preventiva? Sim, como o uso de tornozeleira, proibição de contato, etc.
- Quanto tempo pode durar uma prisão preventiva? Não há prazo fixo, mas deve respeitar o princípio da razoável duração do processo.
- Prisão preventiva em crimes leves é legal? Raramente. Deve haver fundamentação robusta para justificá-la.
- Como saber se cabe habeas corpus? Consultando um advogado criminalista com experiência em prisões preventivas.
Leia também:
Habeas corpus: quando cabe e como funciona na prática! – Explica em que situações o habeas corpus pode ser pedido, como funciona na prática e como advogados atuam no processo para proteger a liberdade do cliente.
Habeas corpus negado: o que fazer? – Guia sobre as alternativas legais e recursos cabíveis quando um habeas corpus é negado, destacando a importância da atuação jurídica especializada.
Habeas Corpus Cível e a Liberdade de Locomoção – Mostra como o habeas corpus também pode ser empregado em situações fora do âmbito penal para proteger o direito de locomoção.
Habeas Corpus: O que é e como funciona? Saiba aqui! – Explica de forma clara o conceito do habeas corpus, sua base constitucional e quando ele pode ser utilizado no Brasil.
Habeas Corpus: O que é? Preventivo, repressivo e Modelo – Aborda as modalidades de habeas corpus (preventivo e repressivo) e orienta sobre suas diferenças e uso prático.
Referências:
- STJ: Prisão cautelar não pode ser mantida apenas com base na pena aplicada (RHC 212836)
O STJ entendeu que não é suficiente justificar a prisão preventiva apenas pela pena aplicada, e a falta de fundamentação concreta configura constrangimento ilegal, cabendo habeas corpus. - STJ: É vedado ao juiz decretar prisão preventiva de ofício (HC 926724)
Superior Tribunal de Justiça reafirma que o juiz não pode, por iniciativa própria, decretar ou converter prisão em flagrante em preventiva, sendo necessário requerimento formal — habeas corpus concedido liminarmente para sanar constrangimento ilegal.
Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203
Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.
Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).
Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.
Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.




