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Prisão em flagrante por tráfico: Quais as consequências?

A prisão em flagrante por tráfico pode gerar consequências graves e imediatas. Entenda o que a lei diz, quais são as penas, se há chance de semiaberto.

Prisão em flagrante por tráfico
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A prisão em flagrante por tráfico é uma das situações mais delicadas e temidas dentro do Direito Penal brasileiro. Em poucos minutos, a vida de uma pessoa pode mudar completamente: liberdade restringida, exposição social, impacto familiar e um processo criminal que, se mal conduzido, pode resultar em anos de prisão.

O que muitos não sabem é que nem toda prisão em flagrante por tráfico é legal, justa ou corretamente enquadrada. Em diversos casos, usuários são tratados como traficantes, provas são colhidas de forma irregular e direitos fundamentais são violados logo nas primeiras horas após a abordagem policial.

Neste artigo, você vai entender de forma clara, técnica e acessível:

  • O que realmente caracteriza a prisão em flagrante por tráfico;
  • Como funciona esse tipo de prisão na prática;
  • O que a lei diz sobre o crime de tráfico de drogas;
  • Qual é a pena prevista e suas consequências;
  • Se existe possibilidade de regime semiaberto;
  • E como a atuação de um advogado criminalista pode mudar completamente o rumo do caso.

Se você, um familiar ou alguém próximo enfrenta essa situação, esta leitura é fundamental para evitar erros irreversíveis logo no início do processo.

jorge EC

O que caracteriza a prisão em flagrante por tráfico?

A prisão em flagrante por tráfico ocorre quando alguém é surpreendido praticando, acabando de praticar ou logo após praticar o crime de tráfico de drogas. Esse conceito está ligado ao estado de flagrância previsto no Código de Processo Penal, mas precisa ser analisado com muito cuidado.

Na prática, a caracterização não depende apenas da posse da droga. A lei exige indícios de mercancia, ou seja, elementos que indiquem que a substância não se destinava ao consumo pessoal. Entre os fatores normalmente analisados pelas autoridades estão:

  • Quantidade e variedade de drogas;
  • Forma de acondicionamento (porções fracionadas);
  • Presença de dinheiro trocado;
  • Anotações, balança ou objetos ligados à venda;
  • Local da abordagem;
  • Conduta do suspeito.

O grande problema é que, muitas vezes, a prisão em flagrante por tráfico é baseada quase exclusivamente na palavra policial, sem outros elementos objetivos. Isso gera inúmeras prisões ilegais ou desproporcionais, que podem — e devem — ser combatidas pela defesa técnica.

É fundamental entender que estar com droga não significa automaticamente tráfico. A distinção entre usuário e traficante é um dos pontos mais sensíveis e decisivos do processo.

Como a prisão em flagrante por tráfico funciona?

A prisão em flagrante por tráfico segue um rito específico que começa, geralmente, com a abordagem policial. Essa abordagem pode ocorrer em via pública, residência, veículo ou estabelecimentos, desde que respeitados os limites constitucionais.

Após a suposta constatação do crime, o indivíduo é conduzido à delegacia, onde ocorre a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante (APF). Nesse momento, já surgem pontos cruciais para a defesa, como:

  • Legalidade da abordagem;
  • Existência ou não de mandado judicial;
  • Respeito ao direito ao silêncio;
  • Integridade física e psicológica do preso.

Depois disso, a prisão em flagrante por tráfico deve ser comunicada imediatamente ao juiz, ao Ministério Público e à família do preso. Em até 24 horas, ocorre a audiência de custódia, etapa decisiva para definir se a pessoa continuará presa ou responderá ao processo em liberdade.

É nesse ponto que muitos casos poderiam ser revertidos, caso haja uma atuação técnica e estratégica desde o início.

O que a lei diz sobre isso?

O crime de tráfico de drogas está previsto na Lei de Drogas, especialmente em seu artigo 33. A legislação adota um conceito amplo, abrangendo diversas condutas além da venda, como guardar, transportar, trazer consigo ou entregar drogas sem autorização legal.

A prisão em flagrante por tráfico, portanto, encontra respaldo legal quando presentes elementos mínimos que indiquem uma dessas condutas com finalidade comercial. No entanto, a própria lei exige análise do caso concreto, considerando:

  • Natureza da substância;
  • Quantidade apreendida;
  • Circunstâncias da prisão;
  • Condições pessoais do agente.

Além disso, a Constituição Federal impõe limites claros à atuação do Estado, como o respeito à presunção de inocência, ao devido processo legal e à dignidade da pessoa humana. Quando esses limites são violados, a prisão em flagrante por tráfico pode ser relaxada ou convertida em liberdade provisória.

Qual a pena para esse tipo de crime?

A pena prevista para o crime de tráfico de drogas é severa. De acordo com a Lei de Drogas, a condenação pode resultar em reclusão de 5 a 15 anos, além de multa. Essa faixa ampla permite diferentes dosimetrias, conforme o caso concreto.

No entanto, nem toda prisão em flagrante por tráfico resulta automaticamente nessa pena máxima. Existem fatores que podem reduzir significativamente a sanção, como:

  • Réu primário;
  • Bons antecedentes;
  • Não integração em organização criminosa;
  • Quantidade reduzida de droga.

Nessas hipóteses, pode ser aplicado o chamado tráfico privilegiado, que permite redução de pena de até dois terços. Esse detalhe é ignorado por muitos, mas faz enorme diferença no resultado final do processo.

Sem uma defesa técnica qualificada, essas teses deixam de ser aplicadas, aumentando drasticamente o tempo de prisão.

jorge FA

Esse tipo de crime permite ir para o semiaberto?

Essa é uma das perguntas mais comuns quando se fala em prisão em flagrante por tráfico. A resposta é: depende. Embora o tráfico seja considerado crime grave, nem sempre o regime inicial será o fechado.

Quando há aplicação do tráfico privilegiado e a pena final fica abaixo de 8 anos, é possível o início no regime semiaberto, e em alguns casos até no aberto. Além disso, decisões recentes dos tribunais superiores afastaram a obrigatoriedade automática do regime fechado.

O juiz deve analisar:

  • Pena final aplicada;
  • Circunstâncias judiciais;
  • Comportamento do réu;
  • Existência de violência ou grave ameaça.

Portanto, a ideia de que toda prisão em flagrante por tráfico resulta em regime fechado é um mito. Com estratégia jurídica adequada, é possível buscar regimes mais brandos e até a substituição da pena.

De que forma um advogado pode ajudar nesse tipo de situação?

A atuação do advogado em casos de prisão em flagrante por tráfico é decisiva desde o primeiro minuto. Um erro inicial pode comprometer toda a defesa futura.

O advogado criminalista atua para:

  • Verificar ilegalidades na abordagem;
  • Questionar a validade das provas;
  • Atuar de forma estratégica na audiência de custódia;
  • Buscar a desclassificação para uso;
  • Pleitear tráfico privilegiado;
  • Reduzir pena e regime.

Na Reis Advocacia, tratamos cada prisão em flagrante por tráfico com análise minuciosa, técnica e humana. Sabemos que por trás do processo existe uma pessoa, uma família e um futuro em jogo.

Conheça seus direitos

A prisão em flagrante por tráfico é uma das situações mais graves do Direito Penal, mas não significa condenação automática. Conhecer seus direitos e agir rapidamente faz toda a diferença no resultado do processo.

Existem inúmeros casos semelhantes, sempre com foco na técnica, na estratégia e na proteção da liberdade. Se você ou alguém próximo enfrenta essa situação, procure orientação jurídica imediatamente.

Continue acompanhando nossos conteúdos e, se precisar, fale conosco. Informação e defesa qualificada salvam futuros.

jorge EC

Perguntas frequentes sobre o tema

  1. Toda prisão em flagrante por tráfico é legal?

Não. Muitas prisões são ilegais e podem ser anuladas.

  1. Usuário pode ser preso como traficante?

Sim, infelizmente isso ocorre com frequência.

  1. A palavra do policial é suficiente?

Não deveria ser o único elemento.

  1. Existe fiança nesses casos?

Não, mas pode haver liberdade provisória.

  1. A audiência de custódia é obrigatória?

Sim, em até 24 horas.

  1. Réu primário tem vantagem?

Sim, especialmente para o tráfico privilegiado.

  1. A quantidade de droga define tudo?

Não, mas influencia bastante.

  1. Posso responder em liberdade?

Em muitos casos, sim.

  1. Quanto tempo dura o processo?

Pode levar anos, dependendo do caso.

  1. Quando procurar um advogado?

Imediatamente após a prisão.

Leia também:

  1. Prisão em Flagrante: Saiba Quais Seus Tipos e Seus Direitos
    Explica o que é prisão em flagrante, quais são os tipos (próprio, impróprio, presumido e esperado), os direitos do preso e as fases do procedimento — com foco em como o flagrante opera na prática.

  2. Prisão em Flagrante, Como um Advogado Atua?
    Detalha o papel do advogado na prisão em flagrante, incluindo presença na delegacia, verificação de legalidade, atuação em audiência de custódia e estratégias de defesa.

  3. Justiça garante liberdade por prisão em flagrante ilegal
    Analisa um caso real de reconhecimento de flagrante ilegal, explica como recorrer (como pedido de relaxamento ou habeas corpus) e reforça a necessidade de assistência jurídica imediata.

  4. Prisão em Flagrante: O Que Acontece se Solto na Delegacia?
    Aborda o que pode acontecer após a prisão em flagrante, incluindo possibilidades de liberdade provisória, relaxamento do flagrante e medidas que o advogado pode tomar.

  5. Prisão em Flagrante Militar: Procedimentos e Direitos
    Trata das particularidades do flagrante no contexto militar, seus procedimentos específicos e os direitos do militar detido, integrando o direito penal militar com garantias constitucionais.

Referência:

 

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DR JORGE GUIMARAES NOVO

Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203

Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.

Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).

Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.

Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.

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