Professora assassinada por aluno: crime brutal em sala de aula choca o Brasil
Na noite de 6 de fevereiro de 2026, em Porto Velho (RO), o que deveria ser uma aula tranquila transformou-se em um dos crimes mais chocantes do ano: uma professora assassinada por aluno dentro de uma sala de aula universitária.
A vítima, Juliana Mattos de Lima Santiago, de 41 anos, era professora do curso de Direito e escrivã da Polícia Civil de Rondônia. Atuava na disciplina de Direito Penal e era conhecida por seu envolvimento com os alunos, pela didática acolhedora e pelo cuidado humano com cada turma. Naquela noite, como fazia em datas especiais, distribuiu chocolates e bilhetes motivacionais aos estudantes um gesto simples que refletia sua dedicação à educação e que acabou se tornando o último registro de sua presença em sala.
Após o término da aula, Juliana permaneceu no local. Um aluno, identificado como João Cândido da Costa Júnior, de 24 anos, esperou que os colegas saíssem da sala e a atacou com uma faca, desferindo diversos golpes. A professora foi socorrida às pressas, mas não resistiu aos ferimentos.
A notícia da professora assassinada por aluno rapidamente se espalhou, causando comoção entre estudantes, professores, operadores do Direito e a sociedade em geral. O crime passou a ser investigado como feminicídio, diante das circunstâncias e da motivação pessoal apontada pelas autoridades.
Esse episódio levanta discussões urgentes sobre segurança nas instituições de ensino, saúde mental, proteção de professores e responsabilidade civil em ambientes educacionais.
O que motivou o crime: contexto jurídico e teses aplicáveis
A análise jurídica do caso da professora assassinada por aluno exige a compreensão de aspectos centrais do Direito Penal e do Direito Civil.
- Homicídio qualificado e feminicídio
O homicídio está previsto no artigo 121 do Código Penal, com pena de seis a vinte anos de reclusão. Contudo, quando o crime é praticado com qualificadoras, a pena pode chegar a até trinta anos.
Entre as qualificadoras aplicáveis estão:
- motivo torpe;
- meio cruel;
- recurso que dificulte a defesa da vítima;
- feminicídio.
O feminicídio, incluído no Código Penal pela Lei nº 13.104/2015, ocorre quando o homicídio é praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Isso inclui casos de violência doméstica ou situações em que haja menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
No caso da professora assassinada por aluno, a investigação aponta para motivação pessoal, possível obsessão e comportamento premeditado, elementos que podem justificar a qualificadora.
- Violência em ambiente educacional
A Constituição Federal garante, no artigo 206, o direito à educação em ambiente seguro. A tragédia envolvendo a professora assassinada por aluno evidencia a fragilidade dos protocolos de segurança em instituições de ensino superior.
Embora as faculdades sejam ambientes de livre circulação, há um dever mínimo de vigilância, controle de acesso e prevenção de riscos. A ausência desses mecanismos pode abrir espaço para tragédias como essa.
- Responsabilidade civil da instituição de ensino
No âmbito civil, o artigo 927 do Código Civil prevê a obrigação de reparar o dano quando houver conduta ilícita ou omissão.
Assim, a família da professora assassinada por aluno pode:
- ingressar com ação de indenização por danos morais;
- pleitear danos materiais;
- buscar pensão indenizatória, se comprovada dependência econômica.
Caso fique demonstrado que houve falha na segurança ou ausência de medidas preventivas, a instituição de ensino poderá ser responsabilizada.
- Direitos das vítimas e assistência jurídica
A legislação brasileira garante proteção às vítimas e seus familiares. Entre os principais direitos estão:
- acesso à Justiça;
- assistência psicológica;
- indenização civil;
- acompanhamento do processo criminal.
A família da professora assassinada por aluno pode atuar como assistente de acusação no processo penal, acompanhando o andamento da ação e garantindo a correta aplicação da lei.
Impactos legais e como agir em casos semelhantes
O caso da professora assassinada por aluno não afeta apenas os envolvidos diretamente. Ele provoca reflexos jurídicos e sociais relevantes, principalmente no debate sobre segurança no ambiente acadêmico.
Efeitos diretos do caso
Entre as principais consequências estão:
- revisão de protocolos de segurança nas instituições de ensino;
- pressão social por leis mais rígidas de proteção aos professores;
- aumento do debate sobre violência em ambientes educacionais;
- mobilização de entidades de classe e órgãos públicos.
O caso da professora assassinada por aluno evidencia que a violência pode surgir em espaços antes considerados seguros, exigindo respostas jurídicas e institucionais.
Soluções jurídicas para situações semelhantes
Quando há ameaças ou episódios de violência em ambientes educacionais, algumas medidas podem ser adotadas:
- Registro imediato de boletim de ocorrência;
- Solicitação de medidas protetivas, quando cabíveis;
- Comunicação formal à instituição de ensino;
- Ação de indenização por danos morais e materiais;
- Representação criminal contra o agressor;
- Acompanhamento jurídico especializado.
Essas medidas são essenciais para prevenir situações mais graves e garantir a proteção de professores e alunos.
Conclusão e análise jurídica do caso da professora assassinada
O assassinato de Juliana não pode ser tratado apenas como mais um episódio isolado de violência. A história da professora assassinada por aluno revela fragilidades estruturais e institucionais que precisam ser enfrentadas com seriedade.
Trata-se de um crime de extrema gravidade, com fortes indícios de qualificadoras e possível enquadramento como feminicídio. O sistema de justiça terá o papel de investigar, julgar e punir o responsável, respeitando o devido processo legal.
Sob a ótica jurídica, o caso também abre espaço para discussões importantes:
- a responsabilidade das instituições de ensino;
- a necessidade de políticas de prevenção à violência;
- o fortalecimento da proteção aos profissionais da educação.
Casos como o da professora assassinada por aluno exigem não apenas punição exemplar, mas também mudanças estruturais que garantam ambientes educacionais seguros e humanizados. A resposta do Direito deve ser firme, técnica e comprometida com a dignidade da vítima e de sua família.
A principal lição que emerge dessa tragédia é clara: a proteção da vida e da integridade dos professores precisa ser tratada como prioridade absoluta, tanto no plano jurídico quanto no plano social.
Perguntas Frequentes sobre o caso da professora assassinada por aluno
- O que caracteriza o crime de uma professora assassinada por aluno?
Trata-se de homicídio doloso, com intenção de matar. Quando praticado com crueldade, motivo torpe ou sem chance de defesa para a vítima, ele é classificado como homicídio qualificado. Se houver indícios de que o crime foi motivado por questões de gênero: como desprezo, ódio ou sentimento de posse, ele pode ser enquadrado como feminicídio, aumentando a gravidade e a pena prevista. - O aluno pode ser acusado de feminicídio mesmo sem relação afetiva com a vítima?
Sim. A lei brasileira não exige vínculo conjugal ou íntimo para configurar o feminicídio. Basta que o crime tenha ocorrido por motivo ligado à condição de mulher da vítima, como desprezo, discriminação ou sentimento de dominação. Assim, mesmo sem relação pessoal, um aluno pode responder por feminicídio ao matar sua professora nessas circunstâncias. - A instituição de ensino pode ser responsabilizada pelo crime?
Sim, na esfera civil. Se for comprovado que a instituição falhou em oferecer um ambiente seguro por omissão, negligência ou ausência de protocolos de prevenção à violência, ela pode ser condenada a indenizar os familiares da vítima por danos morais e materiais. Isso se fundamenta na responsabilidade objetiva prevista no Código Civil. - A família da professora assassinada por aluno tem direito à indenização?
Sim. Os familiares podem pleitear na Justiça reparação por danos morais, materiais e lucros cessantes, como perda de sustento, pensão ou outros prejuízos. A ação pode ser movida tanto contra o agressor quanto contra a instituição, se houver comprovação de responsabilidade. - Qual é a pena para esse tipo de crime?
O homicídio qualificado é punido com reclusão de 12 a 30 anos. No caso de feminicídio, essa pena pode ser ainda mais rígida, com menor possibilidade de benefícios penais. Trata-se de uma das penas mais severas do ordenamento jurídico brasileiro. - O agressor pode responder ao processo em liberdade?
Em situações graves como a de uma professora assassinada por aluno, o juiz pode determinar a prisão preventiva, se houver risco à ordem pública, fuga, ou para garantir a instrução do processo. A prisão em flagrante, como ocorreu neste caso, costuma ser mantida até o julgamento, dependendo da análise judicial. - O que exatamente é feminicídio e quando ele se aplica?
Feminicídio é o homicídio cometido contra mulher por razões da condição de sexo feminino. Ele se aplica quando o crime decorre de violência doméstica, menosprezo ou discriminação contra a mulher. A qualificadora foi inserida na lei para evidenciar a gravidade da violência de gênero. - Professores ameaçados podem solicitar medidas protetivas?
Sim. Professores que se sintam ameaçados ou perseguidos por alunos têm direito a medidas protetivas de urgência, mesmo fora do contexto doméstico. Basta comprovar o risco à integridade física ou psicológica. A Justiça pode determinar o afastamento do agressor, proibição de contato e outras medidas cautelares. - O agressor também responde civilmente?
Sim. O autor do crime pode ser condenado a indenizar a família da vítima, independentemente da condenação criminal. A ação civil busca reparar os danos sofridos, como o sofrimento emocional, prejuízos financeiros e a perda da convivência familiar. - O que fazer se um professor sofrer ameaças em ambiente acadêmico?
É essencial que a vítima registre um boletim de ocorrência, reúna provas (como mensagens, áudios, testemunhos), notifique a direção da instituição e procure apoio jurídico. Se houver risco concreto, pode-se solicitar medidas protetivas e acionar o Ministério Público para atuar no caso.
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Referências:
- G1- Professora morta a facadas por aluno em faculdade de Porto Velho: o que se sabe sobre o caso
- UOL- Professora de Direito é assassinada a facadas por aluno dentro de sala de aula
- CNN- Quem era professora morta a facadas por aluno em faculdade em RO
Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203
Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.
Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).
Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.
Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.




