Quando a Proteção se Torna Urgência
Em um fim de tarde de dezembro de 2025, a tranquilidade de uma família na Vila Nasser, em Campo Grande (MS), foi abruptamente rompida por um ato que expõe uma dura realidade: um homem viola medida protetiva e, ao fazê‑lo, comete violência física contra sua companheira, gerando consequências que ultrapassam o âmbito policial e atingem diretamente a esfera jurídica, social e humana de todos os envolvidos.
O episódio começou quando a vítima — que já havia obtido uma medida protetiva contra o seu agressor — buscava abrigo na casa de sua mãe para se manter segura e distante de qualquer contato com o ex‑companheiro. Nesta mesma data, o agressor viola medida protetiva, invadindo o domicílio familiar sem autorização judicial, agredindo fisicamente a mulher e, ao perceber a aproximação da Polícia Militar, fugindo do local e deixando para trás drogas, arma de fogo e indícios de maus‑tratos a animais.
Esse tipo de situação acende um alerta que precisa ser compreendido em profundidade: quando alguém viola medida protetiva, quais são as implicações legais imediatas? Qual a eficácia desse instrumento de proteção? E, principalmente, como a vítima deve agir para resguardar sua integridade física e psicológica quando seus direitos fundamentais são flagrante e repetidamente desrespeitados?
Este artigo aprofunda cada um desses pontos, apresentando de forma clara e humana os aspectos jurídicos envolvidos, a repercussão social e as soluções práticas que uma vítima — ou qualquer pessoa que esteja diante de uma realidade parecida — deve conhecer.
O Caso, a Realidade e a Violação da Proteção
O que aconteceu quando ele viola medida protetiva
Conforme amplamente noticiado pela imprensa, em 25 de dezembro de 2025, o sujeito em questão invadiu a casa da sogra com intenção expressa de encontrar sua companheira, que havia buscado proteção familiar. Ao entrar no imóvel, ele viola medida protetiva que já lhe impedia de se aproximar da mulher — uma ordem judicial que tinha força de lei e que deveria, sob pena de sanção penal, ser cumprida.
Ao ser surpreendido pela presença da polícia, ele fugiu pelos fundos da residência, mas deixou para trás:
- Uma arma de fogo carregada, cuja posse é objeto de responsabilização penal segundo o Estatuto do Desarmamento;
- Porções de drogas e apetrechos relacionados ao tráfico, sujeitando‑o a crimes relacionados à Lei de Drogas;
- Animais em situação de maus‑tratos, o que pode ensejar crime ambiental conforme legislação vigente.
Esse conjunto de evidências transforma o caso em uma investigação multifacetada, em que o simples fato de o homem violar medida protetiva é apenas o primeiro de uma série de delitos que serão apurados pelas autoridades responsáveis.
Mas o que torna esse episódio ainda mais grave é a clara demonstração de que a medida protetiva — um instrumento jurídico criado justamente para evitar que a vítima sofra mais violência — foi desrespeitada de forma consciente e intencional.
O impacto da violação da medida protetiva
Quando alguém viola medida protetiva, não se trata apenas de um descumprimento administrativo ou burocrático. É um gesto que traduz, na prática, uma afronta direta à ordem judicial, à dignidade da vítima e à própria segurança pública.
Os efeitos imediatos dessa violação incluem:
- Risco real e iminente à integridade física da vítima;
- Sentimento de insegurança e revitimização psicológica;
- **Falhas na efetividade das medidas estatais de proteção;
- Possível continuidade do ciclo de violência por meio de intimidação ou controle coercitivo.
Além disso, o fato de o agressor violar medida protetiva ao invadir o domicilio de familiares da vítima evidencia um padrão de comportamento que extrapola a dinâmica entre o casal e se aproxima de um delito mais amplo de perseguição e assédio repetido — algo que a legislação contemporânea tenta coibir com rigor.
O que Diz a Lei — Entendendo a Proteção e as Consequências
Para compreender o peso jurídico quando alguém viola medida protetiva, é necessário retornar ao cerne do que essa proteção significa dentro do ordenamento jurídico brasileiro.
Lei Maria da Penha: o que é e por que importa
A Lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, foi criada para coibir e punir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Ela representa um marco no combate a esse tipo de violência, não apenas em razão de suas sanções penais, mas também pelo conjunto de mecanismos preventivos que instituiu — entre eles, as medidas protetivas de urgência.
Essas medidas podem ser requeridas pela vítima ou pelo Ministério Público e incluem ordens judiciais que:
- Afastem o agressor do lar;
- Proíbam a aproximação em certos locais ou a qualquer contato com a vítima;
- Restringem a posse ou porte de armas pelo agressor;
- Garantam a manutenção de pensão ou apoio financeiro emergencial.
Quando essa proteção é violada, como aconteceu no caso analisado, a própria legislação prevê consequências penais claras e imediatas.
O crime de descumprir uma medida protetiva
O Art. 24‑A da Lei Maria da Penha estabelece que “desrespeitar as medidas protetivas de urgência é crime.” Isso significa que, além de responder por qualquer outro delito eventualmente apurado (como lesão corporal, posse de arma ou tráfico de drogas), o autor que viola medida protetiva incorre em crime autônomo, cuja pena pode variar de seis meses a dois anos de detenção, sem prejuízo de outras sanções civis ou administrativas.
Esse dispositivo legal é fundamental porque transforma o descumprimento da proteção em crime efetivo, e não apenas em infração processual, garantindo assim um reforço penal imediato para quem ousa desrespeitar a ordem judicial.
A medida protetiva como instrumento de segurança
Não apenas um direito formal, a medida protetiva se aplica como um instrumento de segurança que, quando respeitado, impede contatos indesejados, aproximações e ações que exponham a vítima a risco. Quando alguém viola medida protetiva, abre‑se a porta para toda sorte de afrontas aos direitos fundamentais da mulher, incluindo a sua liberdade, segurança e dignidade humana.
Repercussões Legais e Humanas — Quando a Proteção Falha
Consequências para o agressor
Ao descumprir medidas judiciais, o agressor que viola medida protetiva pode enfrentar:
- Processo penal autônomo pelo descumprimento da medida;
- Agravamento de pena se houver violência física ou ameaça;
- Inquérito policial por outros crimes correlatos encontrados no local (como posse de arma ou tráfico de drogas);
- Medidas cautelares mais rígidas impostas pelo juiz, como prisão preventiva ou isolamento geográfico ampliado.
Essas consequências não acontecem de forma automática, mas dependem de uma atuação técnica e imediata da polícia, do Ministério Público e do Judiciário. Em muitos casos, o resultado mais eficaz para a vítima se dá quando essas instituições trabalham de maneira integrada, reduzindo o tempo entre o descumprimento da medida e a resposta legal.
Consequências para a vítima
Quando alguém viola medida protetiva, o impacto sobre a vítima pode ser devastador:
- A vítima pode reviver o trauma constantemente;
- O sentimento de insegurança pode se intensificar;
- Há risco de isolamento social e medo de buscar ajuda novamente;
- O stress e a ansiedade podem aumentar, agravando problemas de saúde mental.
Para muitas mulheres, esse tipo de episódio reforça o medo de denunciar comportamentos abusivos, pois a simples existência de uma medida protetiva — sem acompanhamento — não foi suficiente para evitar a violência.
Como Agir Quando Alguém Viola Medida Protetiva
Passo a passo recomendado
Se uma vítima percebe que alguém viola medida protetiva, as ações imediatas são:
- Registrar um novo boletim de ocorrência, detalhando a violação;
- Contato rápido com um advogado especializado em violência doméstica;
- Solicitar reforço da proteção jurídica junto ao Ministério Público ou à Defensoria Pública;
- Solicitar que a autoridade policial comunique o juiz sobre o descumprimento imediatamente;
- Buscar apoio psicológico e social em centros de atendimento voltados à mulher.
Cada um desses passos fortalece a posição jurídica da vítima e aumenta a chance de que medidas mais enérgicas sejam adotadas pelo Estado, minimizando a possibilidade de novas violações.
O papel do advogado especializado
Um advogado que atua em casos em que alguém viola medida protetiva pode:
- Auxiliar no requerimento de medidas protetivas ampliadas;
- Acompanhar os procedimentos policiais e judiciais;
- Elaborar pareceres e petições fundamentadas sobre o risco à vítima;
- Requerer, quando cabível, prisão preventiva do agressor;
- Apoiar a vítima em procedimentos cíveis relacionados à reparação de danos.
O conhecimento profundo da lei, da jurisprudência e dos mecanismos de proteção é essencial para garantir que a violação não permaneça impune.
A Importância da Rede de Apoio
Integrando proteção jurídica e apoio social
Quando alguém viola medida protetiva, não é apenas um problema jurídico — é um sinal de que a proteção da vítima deve ser reforçada em várias frentes:
- Redes de acolhimento social (como centros de referência e abrigos);
- Acompanhamento psicológico para a vítima e familiares;
- Apoio educacional e comunitário para prevenção;
- Integração entre policiais, promotores, juízes e advogados.
Somente por meio dessa atuação integrada será possível dar à vítima o suporte necessário para resguardar sua integridade física, psicológica e moral.
Conclusão — Entendendo a Violação e Protegendo Direitos
Quando alguém viola medida protetiva, o que está em jogo não é apenas um documento judicial, mas a própria segurança da pessoa que buscou a proteção do Estado para escapar de uma situação de violência. Esse tipo de violação revela fragilidades no acompanhamento das medidas protetivas e chama a atenção para a necessidade de atuação jurídica rápida, estratégica e humana.
A Lei Maria da Penha representa um instrumento indispensável no combate à violência doméstica. No entanto, sua eficácia depende da observância rigorosa por parte de todos os atores envolvidos — desde as autoridades policiais até o sistema judicial e o atendimento jurídico especializado.
Em situações como a ocorrida em Campo Grande (MS), é essencial que a vítima sinta que não está sozinha; que saiba que, quando alguém viola medida protetiva, existem mecanismos legais para responsabilizar o agressor e reforçar sua própria proteção.
Perguntas Frequentes sobre quem viola medida protetiva
- O que significa quando alguém viola medida protetiva?
Significa que a ordem judicial que proíbe o agressor de se aproximar ou entrar em contato com a vítima foi descumprida, configurando crime e sujeitando o infrator a sanções penais. - Quais são as punições para quem viola medida protetiva?
Quem descumpre a ordem pode responder por crime específico da Lei Maria da Penha, com pena prevista de 6 meses a 2 anos de detenção, além de outras consequências penais e cautelares. - Uma medida protetiva pode ser concedida rapidamente?
Sim. A medida protetiva é classificada como urgente. Em muitos casos, o juiz pode concedê‑la em até 48 horas após o pedido, justamente para evitar riscos imediatos à vítima. - O que fazer se o agressor se aproximar mesmo com ordem judicial?
A vítima deve acionar imediatamente a polícia, registrar novo boletim de ocorrência e informar que o agressor viola medida protetiva, pois isso caracteriza crime autônomo. - É possível pedir prisão do agressor quando ele viola medida protetiva?
Sim. Dependendo da gravidade e da reincidência, o juiz pode decretar prisão preventiva para garantir a segurança da vítima e a efetividade da decisão judicial. - A vítima precisa de advogado para solicitar medida protetiva?
Não obrigatoriamente. O pedido pode ser feito na delegacia. Contudo, o acompanhamento de um advogado especializado fortalece a proteção e garante que todas as medidas cabíveis sejam requeridas. - A medida protetiva tem prazo de validade?
Ela permanece válida enquanto persistir o risco à vítima. O juiz pode manter, ampliar ou revisar a medida conforme o caso concreto. - O agressor pode recorrer da medida protetiva?
Pode apresentar defesa, mas isso não suspende automaticamente a medida. Até decisão judicial em contrário, a ordem deve ser integralmente cumprida. - Além do processo criminal, a vítima pode buscar indenização?
Sim. É possível ajuizar ação cível para pleitear indenização por danos morais e materiais, especialmente quando há agressão física, psicológica ou patrimonial. - Como um escritório de advocacia pode ajudar nesses casos?
Um escritório especializado atua de forma estratégica, acompanhando o processo criminal, solicitando reforço das medidas protetivas, orientando a vítima e garantindo que seus direitos sejam plenamente respeitados.
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Referências:
- G1- Homem invade casa da sogra, agride companheira e foge da polícia deixando drogas e arma em MS
- R7- Homem descumpre medida protetiva e invade a casa da sogra para tentar encontrar esposa
Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203
Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.
Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).
Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.
Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.




