Quais características de uma empresa de família?
Montar uma empresa de família parece, à primeira vista, a solução ideal: confiança entre os sócios, valores comuns, visão de futuro compartilhada. Mas será que é só isso mesmo?
A realidade é que muitas empresas de família enfrentam problemas gravíssimos, desde má gestão até litígios judiciais, justamente por não se prepararem juridicamente desde o início. A boa notícia? Com o suporte certo, é totalmente possível prevenir esses conflitos.
Neste artigo, vamos mostrar:
- As principais características de uma empresa de família
- Quais cuidados você deve tomar antes de abrir uma com parentes
- Os riscos jurídicos de ter familiares como sócios
- Como fazer a divisão correta de funções e quotas
- E o mais importante: a atuação estratégica de um advogado especialista em direito empresarial
Você sabia que 65% das empresas familiares não passam da segunda geração? E que as principais causas de ruptura são brigas internas, má sucessão e ausência de contratos? Esse é o tipo de dor que podemos evitar com informação e assessoria adequada.
Se você quer proteger seu patrimônio, garantir o sucesso da sua empresa e manter a harmonia na família, continue a leitura. Este guia completo é para você.
A empresa de família é um tipo de sociedade empresarial onde dois ou mais membros do mesmo núcleo familiar participam da estrutura administrativa, societária ou operacional do negócio.
Ela possui algumas características marcantes:
- Gestão compartilhada com vínculos afetivos
Os laços familiares muitas vezes se sobrepõem à lógica empresarial. Isso pode ser positivo em momentos de confiança e união, mas extremamente nocivo em períodos de conflito.
- Visão de longo prazo
Muitas empresas familiares têm um forte senso de legado. O objetivo não é apenas o lucro imediato, mas a construção de um patrimônio duradouro que passe de geração em geração.
- Baixa formalização no início
É comum que empresas familiares comecem com acordos verbais, sem formalização de contratos sociais robustos ou regramentos claros. Isso é um erro fatal.
- Mistura de finanças pessoais e empresariais
Outro ponto crítico: o uso indevido do caixa da empresa para fins pessoais. Sem regras claras, essa prática destrói o equilíbrio financeiro e abre portas para conflitos.
- Sucessão hereditária informal
A ausência de um plano de sucessão bem definido pode gerar disputas judiciais entre herdeiros ou parentes que se sentem excluídos da gestão da empresa de família.
É fundamental compreender que, por mais que a confiança seja a base da relação familiar, no mundo dos negócios, ela deve ser acompanhada de segurança jurídica, contratos bem elaborados e regras claras de convivência empresarial.
Quais cuidados de quem está montando uma empresa de família pode tomar?
Ao montar uma empresa de família, é essencial implementar uma série de precauções jurídicas e administrativas. Veja os principais cuidados:
- Elaborar um contrato social bem estruturado
O contrato social é o “coração” da empresa. Ele deve prever:
- Participações de cada sócio
- Direitos e deveres
- Regras para entrada e saída de membros
- Distribuição de lucros
- Quotas hereditárias
Um advogado especialista em direito empresarial pode incluir cláusulas que previnam litígios, como:
- Cláusula de resolução de conflitos por arbitragem
- Cláusula de preferência entre sócios
- Cláusula de não concorrência entre familiares
- Separação entre família e empresa
É importante manter estruturas de governança empresarial que limitem a interferência emocional nas decisões. A criação de um conselho consultivo ou conselho de administração, mesmo informal, pode ajudar a trazer mais racionalidade à gestão.
- Planejamento sucessório
O ideal é que a sucessão não ocorra por falecimento inesperado, mas por um plano jurídico bem feito. Utilização de holdings familiares, testamentos e acordos de sócios são estratégias eficazes para esse fim.
- Formalização de funções
Cada familiar deve ter seu cargo, atribuições e metas definidas, com remuneração clara e proporcional ao que entrega. Evite nomeações por “carinho” ou “tradição”.
- Evite mistura de bens pessoais e empresariais
Contas separadas, pró-labore declarado e regras claras para uso de recursos da empresa são fundamentais.
Tomando esses cuidados, a empresa de família tende a crescer com mais estabilidade e previsibilidade.
Quais os riscos de ter familiares como sócios?
Por mais que a familiaridade traga conforto, ela também traz riscos. Entenda os principais ao montar ou conduzir uma empresa de família com parentes:
- Conflitos pessoais viram empresariais
Brigas familiares antigas podem ressurgir e afetar a tomada de decisões na empresa. Um simples desentendimento pode travar toda a operação.
- Dificuldade em demitir ou cobrar
Quando um familiar não performa ou prejudica o negócio, é muito mais difícil tomar atitudes como desligamento ou cobrança por prejuízos.
- Risco de herdeiros não preparados
Na ausência de um planejamento sucessório, filhos ou parentes sem qualificação podem assumir cargos e comprometer a empresa.
- Ações judiciais entre parentes
Infelizmente, é muito comum vermos irmãos e primos brigando na justiça por quotas societárias ou direito de herança em empresas familiares.
- Fraudes e má-fé
A proximidade emocional pode cegar os sócios e abrir margem para uso indevido do patrimônio da empresa, levando a desvios, fraudes ou gestão temerária.
Esses riscos podem ser minimizados com:
- Acordos de sócios bem redigidos
- Cláusulas preventivas
- Auditoria periódica
- Assessoria jurídica especializada em empresa de família
Como fazer a divisão correta para não ter briga depois?
Dividir a empresa de família de forma justa e segura é essencial para evitar rupturas futuras. Aqui estão as principais estratégias jurídicas:
- Holding familiar
A criação de uma holding é a estrutura mais recomendada para empresas familiares. Ela permite a gestão centralizada do patrimônio, facilita a sucessão e protege os bens.
- Acordo de sócios
Esse documento pode prever:
- Regras de entrada e saída de sócios
- Critérios para nomeação de herdeiros
- Distribuição de lucros
- Venda de quotas
- Solução de conflitos internos
- Planejamento patrimonial
Consiste em antecipar, com apoio jurídico, como será a partilha dos bens da empresa, evitando disputas entre herdeiros.
- Testamento e cláusulas restritivas
Inserir cláusulas de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade nas quotas, protegendo o patrimônio contra divórcios, dívidas ou terceiros.
- Registro claro das quotas e funções
Todas as quotas devem estar devidamente registradas no contrato social e atualizadas com as alterações de capital e ingresso de novos sócios.
Com isso, o patrimônio da empresa de família fica preservado e a convivência familiar menos exposta a conflitos.
Qual a importância de um advogado especialista em direito empresarial nesses casos?
A atuação de um advogado especialista em empresa de família é essencial para prevenir litígios, estruturar a sociedade com segurança e proteger o patrimônio familiar. Entenda os principais benefícios:
- Prevenção de conflitos
Com a elaboração de contratos e acordos que antecipam situações de conflito, o advogado protege a empresa de disputas judiciais dispendiosas.
- Estruturação jurídica adequada
Cada empresa familiar é única, e um advogado pode desenhar o melhor modelo societário (LTDA, S/A, holding) conforme as necessidades e características da família.
- Segurança nas decisões
Com assessoria jurídica, decisões como exclusão de sócios, alterações contratuais, entrada de herdeiros, entre outras, são tomadas com segurança e amparo legal.
- Planejamento sucessório e tributário
Um dos maiores diferenciais é o suporte na estruturação de um planejamento sucessório eficaz, que evite brigas, altas cargas tributárias e perda de patrimônio.
- Blindagem patrimonial
Por meio de cláusulas específicas, contratos e planejamento, o advogado consegue blindar a empresa de família contra credores, divórcios e terceiros.
Se você deseja que sua empresa sobreviva e prospere por gerações, a presença de um advogado desde a fundação é tão importante quanto o plano de negócios.
Conheça seus direitos
Como vimos, a empresa de família pode ser um dos modelos mais poderosos de construção de riqueza e legado, mas também um dos mais arriscados, se mal planejado. Ao longo deste artigo, mostramos as principais características, riscos e cuidados que você precisa adotar para evitar conflitos e proteger seu patrimônio.
Na Reis Advocacia, temos experiência consolidada em orientar famílias na estruturação jurídica de seus negócios, protegendo seu patrimônio com inteligência e segurança. Já ajudamos dezenas de famílias a resolver conflitos internos, implementar estruturas societárias sólidas e garantir a continuidade do negócio por gerações.
Se você está pensando em abrir uma empresa com familiares ou já possui uma e quer evitar problemas futuros, fale conosco agora mesmo.
Perguntas frequentes sobre o tema
- O que é uma empresa de família?
É uma empresa formada por membros da mesma família que compartilham a gestão, propriedade e decisões do negócio.
- Quais os riscos mais comuns em uma empresa de família?
Brigas entre sócios, herdeiros desqualificados, má gestão e confusão entre patrimônio pessoal e empresarial.
- Como evitar conflitos em empresas familiares?
Com contratos bem elaborados, planejamento sucessório e assessoria jurídica especializada.
- Vale a pena abrir empresa com familiares?
Sim, desde que os papéis estejam bem definidos e haja suporte jurídico desde o início.
- Holding familiar é uma boa solução?
É uma das melhores estruturas para sucessão e proteção patrimonial em empresas familiares.
- Como funciona o planejamento sucessório?
É um conjunto de medidas legais que visam organizar a transferência de bens e cotas da empresa de forma segura.
- Preciso de advogado para montar empresa de família?
Sim, é altamente recomendado para evitar erros estruturais e proteger o negócio desde o início.
- Posso demitir um familiar sócio?
Depende do contrato e do tipo de sociedade. Com cláusulas bem definidas, isso é possível.
- A empresa de família paga mais impostos?
Não necessariamente. Com bom planejamento tributário, é possível até reduzir a carga.
- Quais documentos preciso para estruturar uma empresa de família?
Contrato social, acordo de sócios, documentos pessoais, certidões e eventualmente testamento e escritura de holding.
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Referências:
1. STJ: Imóvel adquirido com recursos de um só cônjuge na comunhão parcial também integra partilha
A Terceira Turma do STJ determinou que, no regime de comunhão parcial, bens adquiridos onerosamente durante o casamento são presumidos como frutos do esforço comum, mesmo que adquiridos com recursos exclusivos de um dos cônjuges, e devem ser partilhados.
2. STJ admite partilha de patrimônio anterior à união estável mediante prova de esforço comum
O STJ, por consenso unânime, reconheceu que bens adquiridos antes da união estável podem ser partilhados se houver comprovação de esforço comum, observando a Súmula 380 do STF.
Dr. Tiago O. Reis, OAB/PE 34.925, OAB/SP 532.058, OAB/RN 22.557
Advogado, há mais de 12 anos, e Sócio-Fundador da Reis Advocacia. Pós-graduado em Direito Constitucional (2013) e em Direito Processual (2017), MBA em Gestão Empresarial pela FGV e Gestão Financeira pelo IBMEC (2022).
Com mais de 20 anos de experiência técnica e prática, e atuação em mais de 5.242 processos, Dr. Tiago Reis uniu seu vasto conhecimento jurídico à expertise em gestão empresarial para, a partir de 2013, fundar a Reis Advocacia do absoluto zero, transformando-a em um dos maiores e mais respeitados escritórios jurídicos do Brasil.
Atualmente, também é professor em diversos cursos jurídicos como: Encantamento e atendimento com Excelência em Escritório de advocacia, Prática Jurídica com Inteligência Artificial, Petições complexas em 90 minutos (P90Min), Um Novo Cliente na Advocacia Todo Santo Dia e Gatilhos Mentais: A Máquina Oculta de Fechamento de Contratos.
É Autor de Artigos e Editor-Chefe do Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos e de gestão atualizados, com orientações práticas e informações confiáveis para auxiliar quem busca por crescimento profissional.




