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No universo jurídico, a verdade é o alicerce da Justiça. No entanto, quando alguém tenta falsificar provas, esse princípio fundamental é corrompido — e a integridade do processo é colocada em risco. Falsificar provas é um crime grave, que pode afetar decisões judiciais, destruir reputações, condenar inocentes ou libertar culpados.

Infelizmente, muitas pessoas não sabem exatamente o que configura a falsificação de provas, desconhecem que ela é crime previsto em lei, e menos ainda compreendem a sua gravidade. Seja em processos criminais, cíveis, administrativos ou trabalhistas, qualquer pessoa pode ser vítima — ou até ser acusada injustamente de ter falsificado algo.

Neste artigo você vai descobrir:

  • O que caracteriza o crime de falsificar provas;
  • Quais provas podem ser falsificadas;
  • Como identificar que você foi vítima;
  • Exemplos reais de casos envolvendo falsificação;
  • Qual é a pena prevista na lei;
  • E por que contar com um advogado é essencial para se proteger ou se defender.

Seja você parte de um processo, vítima ou acusado injustamente, este conteúdo completo vai esclarecer todas as suas dúvidas sobre o crime de falsificar provas.

jorge tiago NT

O que caracteriza o crime de falsificar provas?

O crime de falsificar provas ocorre quando alguém, de forma intencional, altera, fabrica ou simula provas com o objetivo de induzir o Judiciário, ou qualquer autoridade competente, ao erro. Trata-se de uma conduta criminosa que viola a boa-fé processual e atenta contra a administração da Justiça.

Fundamento legal

O Código Penal Brasileiro prevê a falsificação de provas no artigo 347, parágrafo único, ao tratar de “fraude processual”, com o seguinte texto:

“Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito.”

Também pode se enquadrar no crime de falsidade documental (artigos 297 a 299 do CP), ou falsidade ideológica, dependendo do tipo de prova adulterada.

Portanto, falsificar provas pode abranger desde alterar um documento, apresentar testemunhas falsas, até modificar uma cena ou produzir provas inexistentes.

O ponto central é o dolo — ou seja, a intenção clara de enganar o julgador ou influenciar um processo com base em provas falsas. É justamente essa intenção deliberada que transforma a conduta em crime.

Quais os tipos de provas podem ser falsificadas?

Existem diversas formas de falsificar provas, já que os processos judiciais se baseiam em múltiplos tipos de elementos. A seguir, veja os principais tipos de provas que costumam ser alvos de falsificação:

Tipos mais comuns de falsificação de provas:

  1. Documentos falsos ou adulterados: contratos, recibos, boletos, escrituras, diplomas, laudos médicos, notas fiscais.
  2. Falsidade ideológica: quando o conteúdo de um documento verdadeiro é manipulado com informações falsas.
  3. Testemunhas falsas (falsidade testemunhal): quando alguém presta depoimento mentiroso em juízo, geralmente combinado com uma das partes.
  4. Áudios ou vídeos editados: registros manipulados para induzir erro, seja cortando partes, seja adicionando sons ou imagens falsas.
  5. Prints de mensagens forjados: uso de aplicativos falsos para simular conversas ou e-mails.
  6. Laudos periciais manipulados: quando um perito forja ou altera resultados para beneficiar uma das partes.
  7. Provas digitais falsificadas: metadados de arquivos, localização GPS, dados de login, entre outros.

Cada um desses elementos, quando utilizados de má-fé, tem o poder de alterar o resultado de um julgamento. Por isso, falsificar provas é crime — não apenas uma infração ética ou irregularidade processual.

Como identificar que foi vítima de provas falsas?

Ser vítima de falsificar provas é extremamente sério — e pode afetar profundamente o desfecho de um processo. Saber identificar quando isso está ocorrendo é o primeiro passo para se proteger juridicamente.

Sinais de que você pode estar diante de provas falsas:

  • Contradições nas versões apresentadas por testemunhas;
  • Documentos com erros grosseiros, datas inconsistentes ou formatações incomuns;
  • Prints ou e-mails sem metadados ou facilmente alteráveis;
  • Áudios e vídeos com cortes, edições ou sem autenticidade técnica comprovada;
  • Provas apresentadas em momentos estratégicos e suspeitos do processo;
  • Laudos técnicos divergentes de fatos comprovados ou com linguagem genérica;
  • Depoimentos claramente ensaiados ou desmentidos por outras provas legítimas.

Se você desconfia que foi vítima de falsificação de provas, procure imediatamente um advogado. É possível pedir perícia, impugnar as provas e até denunciar criminalmente quem apresentou tais provas fraudulentas.

Exemplos de crimes de falsificar provas

Para ilustrar como o crime de falsificar provas acontece na prática, veja alguns exemplos comuns em processos judiciais e administrativos:

Exemplo 1: Disputa de guarda

Em um processo de guarda de filhos, um dos genitores apresenta mensagens supostamente trocadas pelo WhatsApp, com conteúdo ofensivo. Posteriormente, descobre-se que as mensagens foram criadas em um simulador de conversas.

Resultado: o responsável pode responder criminalmente por falsidade ideológica e fraude processual.

Exemplo 2: Ação trabalhista

Um ex-funcionário ajuíza reclamação trabalhista e apresenta um contracheque com valores adulterados para provar salário superior ao real. Uma perícia grafotécnica comprova a falsificação.

Consequência: o autor pode perder a causa, responder por crime e pagar indenização por má-fé.

Exemplo 3: Falsificação em ação de cobrança

Uma empresa apresenta um contrato de prestação de serviços com assinatura digital falsa para cobrar dívida de um cliente. A assinatura foi inserida digitalmente sem consentimento.

Desfecho: o caso é denunciado e os responsáveis são investigados por falsificação de documento e tentativa de estelionato.

Esses exemplos mostram como a tentativa de falsificar provas pode se voltar contra o autor da fraude — com consequências penais e cíveis severas.

Qual a pena para esse crime?

A pena para quem comete o crime de falsificar provas varia conforme o tipo de falsificação, o momento processual em que ela ocorre e os prejuízos causados. O Código Penal Brasileiro trata do assunto em diversos dispositivos, principalmente nos artigos 347, 297, 298 e 299.

Veja as principais penas previstas:

  • Fraude processual (art. 347, parágrafo único, CP):
    Pena de 2 a 5 anos de reclusão, e multa, se a inovação for feita com o fim de produzir efeito em processo penal em curso.
    Para processos civis ou administrativos, a pena é de 3 meses a 2 anos, e multa.
  • Falsificação de documento público (art. 297):
    Pena de 2 a 6 anos de reclusão, e multa.
  • Falsificação de documento particular (art. 298):
    Pena de 1 a 5 anos de reclusão, e multa.
  • Falsidade ideológica (art. 299):
    Pena de 1 a 5 anos de reclusão, e multa, se o documento for público.
    Se for documento particular, a pena é de 1 a 3 anos, e multa.

Essas penas podem ser agravadas caso a falsificação envolva concurso de pessoas (mais de um autor), uso de documentos falsos perante autoridades, ou reincidência.

Além da punição criminal, o responsável pode sofrer:

  • Sanções cíveis, como condenação por perdas e danos;
  • Penalidades processuais, como litigância de má-fé;
  • Expulsão do processo ou inversão de ônus da prova;
  • Danos à imagem e reputação.

Portanto, falsificar provas é um crime sério, e o Judiciário vem atuando com rigor contra essas práticas.

jorge endy FA

Qual a importância de um advogado em um caso de falsificação de provas?

Quando uma pessoa é acusada de falsificar provas, ou é vítima de uma prova forjada usada contra si, a atuação de um advogado é absolutamente indispensável. Isso porque se trata de um crime complexo, com consequências severas, e que exige uma resposta jurídica técnica e estratégica.

O advogado pode atuar de duas formas principais:

  1. Defendendo quem foi acusado de falsificar provas:
  • Avaliando a legalidade das acusações;
  • Produzindo contraprovas;
  • Pedindo perícias, exames grafotécnicos ou análise de arquivos digitais;
  • Defendendo os direitos do réu em inquérito policial ou processo judicial;
  • Negociando acordos, se aplicável.
  1. Representando a vítima da falsificação:
  • Impugnando a prova fraudulenta;
  • Requerendo perícias para invalidar a falsificação;
  • Apresentando denúncia-crime contra o autor da falsidade;
  • Exigindo a responsabilização criminal e cível do falsificador;
  • Garantindo que a verdade dos fatos prevaleça no processo.

O advogado atua com técnica, ética e conhecimento processual para restabelecer a justiça. Em casos de falsificar provas, a orientação jurídica é decisiva tanto para inocentar quem foi injustamente acusado, quanto para punir quem usou a fraude como arma.

No escritório Reis Advocacia, lidamos com inúmeros casos envolvendo provas falsas, fraudes processuais e defesa estratégica. Nossa atuação já evitou condenações injustas, anulou provas forjadas e garantiu a responsabilização de autores de falsificações.

Saiba seus direitos

O crime de falsificar provas é mais comum do que se imagina — e mais grave do que parece. Não se trata apenas de uma infração ética ou de uma “jogada de esperteza”, mas de um crime que ataca diretamente a justiça, a verdade e os direitos fundamentais de quem está no processo.

Se você foi vítima de provas falsas, não ignore o problema. Reagir a tempo pode evitar uma condenação injusta, a perda de direitos e até danos irreparáveis à sua reputação. Se, por outro lado, você foi acusado injustamente de falsificar provas, a defesa técnica é sua maior aliada.

Na Reis Advocacia, temos experiência sólida em casos envolvendo fraude processual, falsidade ideológica, provas forjadas e defesa estratégica. Atuamos em todo o Brasil com comprometimento, sigilo e ética.

Fale agora com um advogado especialista. Seu caso será analisado com atenção e seriedade, e você receberá a melhor orientação possível para se proteger ou se defender.

jorge tiago NT

Perguntas frequentes sobre o tema

  1. O que é falsificar provas?

É o ato de criar, alterar ou forjar provas com o intuito de enganar o juiz, perito ou qualquer autoridade competente durante um processo judicial ou administrativo.

  1. Falsificar provas é crime?

Sim. É crime previsto no Código Penal, com penas que variam de 1 a 6 anos, dependendo da modalidade e do tipo de prova falsificada.

  1. Quem pode responder por esse crime?

Qualquer pessoa envolvida no processo que tenha agido com dolo (intenção) ao apresentar ou fabricar prova falsa: partes, testemunhas, advogados ou terceiros.

  1. Posso ser preso por falsificar provas?

Sim. A depender da gravidade e da fase do processo, o acusado pode ser preso preventivamente ou condenado à pena de reclusão.

  1. Fui vítima de uma prova falsa. O que posso fazer?

Procure um advogado imediatamente, impugne a prova, peça perícia e denuncie criminalmente quem apresentou a prova fraudulenta.

  1. Falsificação digital também é crime?

Sim. Prints, vídeos, áudios e documentos digitais adulterados se enquadram como prova falsa e configuram crime.

  1. É necessário boletim de ocorrência?

Sim. Registrar o B.O. ajuda a formalizar a denúncia e dá início à investigação criminal.

  1. O juiz pode anular a prova falsificada?

Sim. Uma vez comprovada a falsificação, o juiz deve desconsiderar a prova, podendo inclusive responsabilizar quem a apresentou.

  1. A falsificação pode me prejudicar no processo?

Sim. Provas falsas podem levar à condenação injusta ou à perda de um direito, caso não sejam impugnadas a tempo.

  1. Posso pedir indenização por prova falsa usada contra mim?

Sim. Se a falsificação te causou danos morais, materiais ou afetou sua imagem, é possível pleitear reparação judicial.

Leia também:

  1. Crime de Falsidade de Documento: Conheça seus Tipos — Este artigo explica os tipos penais de falsificação de documento (público/privado), as condutas típicas, e as respectivas sanções.

  2. Flagrante forjado: Entenda as consequências legais desse … — Enfoca a falsificação de provas (flagrante forjado) e suas implicações criminais, inclusive falsidade ideológica, denunciação caluniosa.

  3. Falsidade Ideológica: O Que É? Entenda — Aborda especificamente a falsidade ideológica como forma de falsificação de prova/documento e suas consequências.

  4. Militar tem punibilidade extinta por documento falso — Um caso prático acompanhado pela Reis Advocacia envolvendo uso/falsificação de documento militar e extinção de punibilidade.

  5. Flagrante Preparado: Entenda o Significado — Trata da criação ou alteração de provas para incriminar injustamente alguém (“flagrante forjado”), o que se relaciona diretamente à falsificação de prova.

Referências:

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DR JORGE GUIMARAES NOVO

Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203

Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.

Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).

Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.

Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.

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