Desvio de função é um problema real e grave que muitos bombeiros militares enfrentam no cotidiano, sem saber exatamente como agir para resguardar seus direitos. Se você está exercendo atividades que não condizem com sua formação e cargo ou se sente injustiçado por isso é fundamental entender:
- O que caracteriza desvio de função no âmbito militar
- Se existe diferença entre desvio e acúmulo de função
- Como esse problema impacta seu salário e carreira
- Como provar esse desvio dentro da instituição
- Se o comando pode retaliar quem reclama
- E, sobretudo, como um advogado especialista pode ajudar a resolver essa situação
Neste guia completo sobre Desvio de função do bombeiro militar você vai encontrar respostas precisas baseadas em princípios jurídicos, legislação, doutrina e jurisprudência com linguagem clara e objetiva para que você possa agir com segurança e embasamento.
Acompanhe conosco e descubra exatamente o que fazer quando houver desvio de função no âmbito da corporação militar.
O que é considerado desvio de função no bombeiro militar?
Desvio de função ocorre quando um bombeiro militar é designado a cumprir tarefas que não correspondem às atribuições previstas em lei, regulamento ou no seu cargo original de ingresso na carreira. Essa prática infelizmente comum viola princípios jurídicos fundamentais como o da legalidade e da vinculação ao cargo.
No contexto militar funções e hierarquias são ainda mais estruturadas do que no serviço público civil. Os cargos são definidos por estatutos, regulamentos internos e plano de carreira. Assim desvio de função se apresenta quando:
- O bombeiro, concursado e habilitado para determinada função, é utilizado em tarefas de outra natureza
- Tarefas atribuídas não correspondem às competências legais previstas para o cargo
- Há transferência de responsabilidade sem o devido enquadramento funcional
Exemplo prático: um bombeiro cuja função no concurso e na corporação é voltada ao atendimento pré‑hospitalar é colocado para exercer atividades administrativas de rotina, sem justificativa de reorganização funcional.
Distinguindo das atividades inerentes
É importante destacar que o desvio de função não se confunde com atividades inerentes ao serviço ou com ordens temporárias de natureza emergencial desde que respaldadas em legislação e regimento interno.
O princípio da legalidade previsto no artigo 37 da Constituição Federal exige que o agente público militar só exerça aquilo para o qual foi legalmente investido.
Princípios aplicáveis
- Princípio da legalidade: nenhum agente público pode ser obrigado a fazer algo que não esteja previsto na lei
- Princípio da especialidade: vincula a atuação do servidor às competências atribuídas ao cargo
- Princípio do devido processo legal: garante que qualquer alteração funcional seja amparada por norma interna
Existe diferença entre desvio de função e acúmulo de função?
Desvio de função x Acúmulo de função: conceitos distintos
Sim existe clara diferença entre desvio de função e acúmulo de função. Embora ambos possam gerar prejuízo ao bombeiro tratam‑se de situações jurídicas e administrativas distintas.
Desvio de função: o bombeiro é designado para exercer atividade que não corresponde ao seu cargo
Acúmulo de função: o bombeiro exerce, simultaneamente, duas ou mais atividades, mas que não implicam remoção da função principal
Quando ocorre o acúmulo de função
O acúmulo de função acontece por exemplo quando um militar precisa excepcionalmente assumir funções de coordenação ou supervisão além de sua atuação principal sem que isso descaracterize sua posição original nem exista alteração formal no cargo.
Nesses casos a atividade principal não é retirada apenas ampliada.
Impactos administrativos e legais
Do ponto de vista jurídico o desvio de função tem consequências mais graves pois implica a realização de tarefas que não são previstas para aquele cargo ou patente.
Já o acúmulo de função, quando feito dentro das normas administrativas e sem prejuízo das atividades principais, não constitui diretamente uma ilegalidade desde que aprovado pela corporação e observado o regime jurídico militar.
Importante: a linha de separação entre os dois conceitos deve ser analisada com base no regulamento interno da corporação e nas normas que regem o serviço militar
Por quanto tempo o bombeiro militar pode ficar em desvio de função?
Não existe tempo legalmente permitido
Ao contrário do que muitos pensam não há norma que permita que o desvio de função seja temporariamente tolerado por um período específico no âmbito militar.
Assim que o bombeiro é designado para atividades que não correspondem ao cargo ao qual foi oficialmente investido há um desvio funcional e isso ocorre desde a primeira ocorrência.
Consequências dessa prática prolongada
Quando persistente o desvio de função pode gerar uma série de prejuízos ao militar tais como:
- Prejuízo ao desenvolvimento de carreira
- Perda de oportunidades de promoção
- Diminuição salarial em comparação a quem exerce função correspondente
- Desmotivação e estresse ocupacional
- Violação de direitos fundamentais
Base legal
O ordenamento jurídico brasileiro especialmente no âmbito do serviço público e militar exige que as atribuições do cargo sejam rigorosamente observadas. Tratados internacionais princípios constitucionais e legislação infraconstitucional impedem que uma pessoa permaneça em desvio funcional sem respaldo legal.
Jurisprudência: diversos tribunais reconhecem que a mera tolerância administrativa ao desvio de função não cria direito adquirido sendo necessária a atuação jurídica para correção da situação.
Bombeiro militar em desvio de função tem direito a receber diferença salarial?
Sim, existe direito quando comprovado o desvio
Uma das consequências mais discutidas do desvio de função é a possibilidade de ser remunerado de forma compatível com o que efetivamente se exerce. Porém, no âmbito militar, o tema é complexo e depende de:
- Prova documental da real atividade exercida
- Existência de norma que estabeleça a equivalência salarial entre funções
- Reconhecimento jurídico da situação
Natureza jurídica da diferença salarial
O pagamento de diferenças salariais decorrentes de desvio de função é uma demanda frequente na Justiça Militar e na Justiça Comum, pois trata de:
- Reparação pelo exercício de atribuições em grau maior (se comprovado)
- Correção remuneratória devida
Contudo, não basta apenas alegar é fundamental demonstrar, com provas robustas, que as funções exercidas eram incompatíveis com o cargo originário.
Como essa diferença pode ser calculada
O cálculo de diferenças salariais depende de:
- Comparação entre a remuneração da função original e a função efetivamente exercida
- Tempo de duração do desvio
- Incidência de adicionais legais
- Prova da rotina de trabalho (escalas, ordens de serviço, relatórios, etc.)
Exemplo prático: se um bombeiro concursado para funções operacionais passou a exercer atividades gerenciais por longo período, pode ter direito à diferença remuneratória de acordo com a função que, comprovadamente, exerceu
Posicionamento jurisprudencial
Diversos tribunais já reconhecem que o direito à diferença salarial pode ser devido quando comprovado o desvio funcional com base em princípios constitucionais e no regime jurídico dos servidores públicos.
Como provar o desvio de função no bombeiro militar?
Provas são essenciais no desvio de função
A principal dificuldade enfrentada por quem busca reconhecimento de desvio de função é justamente a produção de provas consistentes. Sem provas, não há como convencer a Administração ou o Judiciário de que as atividades exercidas eram incompatíveis com a função original.
Veja como comprovar:
- Ordens de serviço e escalas de trabalho
Documentos que demonstrem claramente o conteúdo das atividades realizadas são essenciais
- Ordens de serviço
- Escalas de plantão
- Registros de presença
- Comunicações internas
- Testemunhas profissionais
Colegas de corporação podem auxiliar ao depor descrevendo as tarefas que você executava na prática.
- Regimento interno ou plano de carreira
Esses documentos detalham as funções previstas para cada cargo e são fundamentais para estabelecer a comparação com a atividade exercida.
- Laudos e relatórios de atividade
Documentos elaborados por superiores ou por setores administrativos que descrevam as atividades também ajudam.
Organizando as provas
A produção de provas deve ser trabalhada com estratégia jurídica. Não basta juntar documentos isolados é necessário construir um conjunto probatório que demonstre:
- a rotina de trabalho
- incompatibilidades com o cargo
- prejuízos funcionais decorrentes do desvio
A importância de um advogado especialista
Um advogado com experiência em direito militar e desvio de função pode ajudar a:
- identificar que documentos servem como prova
- solicitar informações à corporação
- organizar todas as provas de forma estratégica
- elaborar relatórios e petições com base jurídica sólida
O comando pode punir o bombeiro que reclama do desvio de função?
Proteção legal para quem reclama de desvio
A resposta é não o comandante e a administração não podem punir um bombeiro por buscar garantir seus direitos. Reclamar ou questionar legalmente um desvio de função não constitui infração disciplinar por si só.
Garantias regimentais e jurídicas
O princípio constitucional da liberdade de petição assegura que qualquer servidor pode recorrer às instâncias administrativas ou judiciais para proteger seus direitos.
Sanções ou retaliações por esse motivo configuram:
- Violação de direitos
- Assédio institucional
- Abuso de poder
Quando pode ocorrer retaliação indevida
Infelizmente, em algumas corporações há práticas indevidas de retaliação contra quem busca seus direitos. Neste caso, isso não tem respaldo jurídico e pode gerar responsabilização da autoridade hierárquica.
Medidas de proteção
Se você sofre retaliação por reclamar de desvio de função, é possível:
- Registrar a ocorrência formalmente
- Buscar apoio de um advogado especialista
- Ingressar com medidas administrativas ou judiciais de proteção
Como um advogado especialista pode ajudar nesse processo?
O papel estratégico do advogado
Um advogado especialista em desvio de função do bombeiro militar tem papel fundamental em todas as etapas
- Identificação da causa jurídica
- Levantamento de provas
- Cálculo de valores pleiteáveis
- Elaboração de petições precisas
- Ajuizamento de ações ou representação administrativa
- Defesa contra possíveis retaliações
Etapas do trabalho jurídico
- Análise documental detalhada
Verificação de:
- Regimento interno
- Cargos e atribuições
- Escalas
- Ordens de serviço
- Comprovantes de realização de atividades
- Construção de tese jurídica
Utilizando princípios constitucionais normas militares e jurisprudência para reforçar o pedido
- Produção estratégica de provas
Solicitação de documentos ofícios e produção de testemunhas
- Ajuizamento de ações e representação
Propositura de ações judiciais para reconhecimento do desvio de função com pedido de diferenças salariais
- Acompanhamento processual
Atuação contínua para garantir que seus direitos sejam respeitados
Por que não é recomendado agir sozinho?
Sem conhecimento jurídico especializado o processo de reconhecimento de desvio de função pode ser negado por falhas técnicas falta de provas ou entendimento equivocado das normas militares
Um advogado experiente aumenta substancialmente suas chances de sucesso
O desvio de função do bombeiro militar não é apenas uma simples troca de atividades trata‑se de uma ofensa direta à lei aos princípios constitucionais e ao plano de carreira do militar. Ao longo deste artigo você entendeu
- O que caracteriza desvio de função
- Como diferenciá‑lo do acúmulo de função
- Que não há prazo legal para tolerância
- Que pode haver direito a diferenças remuneratórias
- Como provar a ocorrência
- Que o comando não pode punir quem busca seus direitos
- E como um advogado especialista pode ser decisivo no processo
O nosso escritório Reis Advocacia tem ampla experiência em defender bombeiros militares que enfrentam o desvio de função. Atuamos com estratégia jurídica sólida produção de provas consistente e foco em resultados
Se você está vivenciando essa situação ou conhece alguém que está não espere mais procure ajuda especializada agora mesmo Leia outros artigos em nosso blog e entre em contato para uma análise personalizada do seu caso
Perguntas Frequentes sobre Desvio de Função
- O que caracteriza desvio de função no bombeiro militar?
Quando o bombeiro executa tarefas que não correspondem às atribuições legais de seu cargo
- Acúmulo de função é a mesma coisa que desvio de função?
Não acúmulo significa exercer mais atividades sem perder as originais; desvio substitui a atividade principal
- Posso ser remunerado pelas atividades que exerço em desvio de função?
Sim desde que haja comprovação do efetivo exercício de funções distintas
- Como provar que estou em desvio de função?
Com ordens de serviço escalas testemunhas e relatórios de atividade
- O comando pode punir por reclamar desse problema?
Não reclamar não é infração Retaliação é ilegal
- Existe tempo mínimo para caracterizar desvio de função?
Não basta que a tarefa seja incompatível com a função
- Posso mover ação judicial sozinho?
É possível mas ter advogado especialista aumenta as chances de sucesso
- Que tribunal analisa casos de bombeiros militares?
Depende da legislação estadual e da instância competente por matérias
- O desvio de função pode afetar minha carreira?
Sim prejudica progressão e desenvolvimento profissional
- Quais documentos são mais importantes como prova?
Ordens de serviço escalas de plantão e registros oficiais
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Referência:
REsp 1.826.972 – Legitimidade da União em ação de diferenças salariais por desvio de função – O STJ esclareceu que a União é parte legítima em ações de servidor cedido que busca diferenças salariais por desvio de função.
Dr. Tiago O. Reis, OAB/PE 34.925, OAB/SP 532.058, OAB/RN 22.557
Advogado especializado em ações que envolvem militares há mais de 12 anos, ex-2º Sargento da Polícia Militar e Diretor do Centro de Apoio aos Policiais e Bombeiros Militares de Pernambuco. Atuou em mais de 3039 processos em defesa da categoria, obtendo absolvições em PADs, processos de licenciamento e conselhos de disciplina.
Criou teses relevantes, como o Ação do Soldo Mínimo, Auxílio-transporte, Promoção Decenal da Guarda e Fluxo Constante de Promoção por Antiguidade.
Foi professor de legislação policial e sindicante em diversos processos administrativos. Pós-graduado em Direito Constitucional e Processual, com MBA em Gestão Empresarial, é referência na luta por melhores condições jurídicas e de trabalho aos militares.
Atualmente, também é autor de artigos e e Editor-Chefe no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.




