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Pedido de revogação da prisão preventiva: Quando cabe?

Saiba quando é possível entrar com pedido de revogação da prisão preventiva, quais os requisitos legais, medidas alternativas e o que fazer se for negado.

Pedido de revogação
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O que é o pedido de revogação da prisão preventiva?

O pedido de revogação da prisão preventiva é um instrumento jurídico por meio do qual a defesa de uma pessoa presa solicita ao juiz a retirada da medida cautelar que determina a sua prisão antes do julgamento definitivo. Essa medida pode ser revogada a qualquer tempo, desde que não estejam mais presentes os requisitos que motivaram a sua decretação, conforme dispõe o artigo 316 do Código de Processo Penal.

A prisão preventiva é uma das formas de prisão cautelar previstas no ordenamento jurídico brasileiro, e tem por objetivo garantir o andamento do processo, a aplicação da lei penal, a preservação da ordem pública ou econômica, ou ainda a conveniência da instrução criminal. No entanto, por tratar-se de medida excepcional, deve obedecer a critérios rigorosos, e não pode ser mantida quando cessarem os motivos que a justificaram.

Portanto, o pedido de revogação da prisão preventiva é essencial para proteger os direitos e garantias fundamentais do acusado, principalmente a presunção de inocência e a dignidade da pessoa humana.

Compreender o que é e quando cabe o pedido de revogação da prisão preventiva pode ser decisivo para a liberdade do acusado e o sucesso da defesa. Continue a leitura e saiba mais!

jorge EC

Quando cabe pedido de revogação de prisão preventiva?

O pedido de revogação da prisão preventiva é cabível sempre que os fundamentos que sustentaram a decretação da prisão deixarem de existir. A legislação brasileira estabelece critérios objetivos e subjetivos para a adoção da prisão preventiva, e, da mesma forma, sua revogação depende da ausência dessas condições.

Confira abaixo os principais casos em que o pedido de revogação da prisão preventiva pode ser formulado:

  1. Ausência de requisitos legais: Quando não há prova de materialidade ou indícios suficientes de autoria do crime.
  2. Cessação dos motivos: Se os fatos que justificaram a prisão mudaram ou foram superados.
  3. Medidas cautelares alternativas: Quando é possível substituir a prisão por outras medidas previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal.
  4. Decurso de prazo excessivo: Prisões prolongadas sem a devida instrução do processo violam o princípio da razoável duração do processo.
  5. Situação pessoal favorável do acusado: Como residência fixa, trabalho lícito, bons antecedentes, entre outros.
  6. Gravidez ou problemas de saúde: Especialmente em casos que envolvam gestantes, mães de crianças pequenas, ou pessoas com enfermidades graves.

É fundamental que o advogado analise detalhadamente os autos do processo para identificar o melhor momento e os fundamentos jurídicos mais robustos para apresentar o pedido de revogação da prisão preventiva.

 

Qual a diferença entre revogação da prisão preventiva e liberdade provisória?

Muitas vezes confundidas, revogação da prisão preventiva e liberdade provisória são medidas diferentes, ainda que ambas tenham como consequência a liberação do acusado.

A revogação da prisão preventiva ocorre quando o juiz entende que os motivos que levaram à prisão já não existem. Já a liberdade provisória é uma forma de garantir a liberdade do réu desde o início do processo, sem que ele tenha sido previamente preso, ou após conversão da prisão em liberdade com ou sem fiança.

Diferenças principais:

  • Revogação da prisão preventiva: suspende uma prisão que já está em vigor, com base na cessação dos seus fundamentos.
  • Liberdade provisória: impede ou substitui a prisão antes mesmo da decretação ou execução da medida.

Ambas as medidas visam assegurar o respeito ao princípio da presunção de inocência e a dignidade do acusado, mas devem ser aplicadas conforme as circunstâncias do caso.

 

Qual a diferença entre revogação e relaxamento da prisão preventiva?

Outro ponto que gera dúvidas é a distinção entre revogação e relaxamento da prisão preventiva. Ambos os institutos constam no Código de Processo Penal, mas têm fundamentos jurídicos distintos.

  • Revogação da prisão preventiva (art. 316, CPP): ocorre quando cessam os motivos legais que justificavam a prisão cautelar.
  • Relaxamento da prisão (art. 5º, LXV da CF e art. 310, II, CPP): é aplicável quando a prisão é ilegal, ou seja, foi decretada ou mantida sem o respaldo legal necessário.

Exemplo prático: se uma pessoa for presa sem ordem judicial e sem flagrante, caberá o relaxamento da prisão. Já se ela foi presa legalmente, mas os motivos deixaram de existir, caberá o pedido de revogação.

Portanto, o relaxamento corrige uma ilegalidade; a revogação, uma desnecessidade.

 

A revogação da prisão preventiva garante liberdade definitiva?

Não. A revogação da prisão preventiva não significa o fim do processo ou a absolvição do acusado. Trata-se apenas da suspensão da medida cautelar, permitindo que o réu responda ao processo em liberdade.

Após a revogação, o acusado pode ser submetido a outras medidas cautelares previstas no artigo 319 do CPP, como:

  • Monitoramento eletrônico;
  • Proibição de frequentar determinados lugares;
  • Comparecimento periódico em juízo;
  • Recolhimento domiciliar;
  • Proibição de contato com determinadas pessoas.

Portanto, é importante que o acusado e seus familiares compreendam que a revogação da prisão preventiva é uma vitória no processo, mas não o encerramento definitivo da ação penal.

jorge FA

O que fazer se o pedido de revogação da prisão preventiva for negado?

Caso o juiz indefira o pedido de revogação da prisão preventiva, ainda é possível recorrer da decisão. Os principais caminhos são:

  1. Interposição de Habeas Corpus: é uma via célere e eficaz para reverter decisões que mantêm a prisão sem justa causa.
  2. Recurso em Sentido Estrito: nos termos do art. 581, inciso V do CPP.
  3. Renovação do pedido: se houver fatos novos ou mudanças na situação processual.

É essencial contar com um advogado experiente para analisar o indeferimento e identificar a melhor estratégia para garantir a liberdade do acusado.

Negar um pedido de revogação sem justa causa pode configurar constrangimento ilegal, ensejando intervenção do Tribunal através do Habeas Corpus.

Como um advogado especialista pode ajudar nesse processo?

Um advogado criminalista com experiência em medidas cautelares é essencial para obter sucesso em um pedido de revogação da prisão preventiva. Veja como esse profissional pode ajudar:

  • Analisar minuciosamente os autos do processo;
  • Identificar teses jurídicas relevantes e argumentos técnicos;
  • Apontar nulidades ou ilegalidades na decretação da prisão;
  • Demonstrar que o acusado preenche requisitos para responder em liberdade;
  • Interpor recursos cabíveis caso o pedido seja negado;
  • Atuar com agilidade e estratégia, maximizando as chances de deferimento.

Na Reis Advocacia, contamos com equipe especializada que já auxiliou centenas de clientes em situações semelhantes, conquistando decisões favoráveis em todo o país.

 

Neste artigo, explicamos em profundidade o que é o pedido de revogação da prisão preventiva, quando ele é cabível, as diferenças entre outras medidas legais e os caminhos possíveis quando ele é negado.

A equipe da Reis Advocacia é formada por especialistas em Direito Penal que atuam com seriedade, técnica e dedicação na defesa dos direitos dos nossos clientes. Já ajudamos diversas pessoas em situação semelhante a recuperar sua liberdade e enfrentar o processo com dignidade e respaldo jurídico sólido.

Se você ou um familiar está enfrentando uma prisão preventiva, entre em contato com nossos advogados. Nossa atuação é estratégica, ética e totalmente comprometida com a liberdade e os direitos fundamentais de nossos clientes.

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 Leia também:

  • Prisão preventiva: quando é legal e como se defender?
  • Habeas Corpus: quando e como utilizar?
  • Prisão ilegal: seus direitos e o que fazer

jorge EC

Perguntas frequentes sobre o tema

  1. Qual a diferença entre prisão preventiva e temporária? A prisão preventiva é por tempo indeterminado e visa garantir o andamento do processo; já a temporária tem prazo fixo e é usada na fase investigativa.
  2. É possível entrar com mais de um pedido de revogação? Sim, desde que existam novos fatos que justifiquem a reconsideração da medida.
  3. O pedido de revogação pode ser feito a qualquer momento? Sim, desde que fundamentado e com base na ausência dos requisitos legais.
  4. Preciso de advogado para pedir a revogação? Sim, o pedido deve ser feito por advogado habilitado ou pela Defensoria Pública.
  5. Revogar a prisão impede nova prisão? Não. Se surgirem novos elementos, o juiz pode decretar novamente a prisão.
  6. O juiz pode indeferir o pedido sem justificar? Não. A negativa deve ser fundamentada, sob pena de nulidade.
  7. A vítima pode interferir no pedido de revogação? Não diretamente, mas o Ministério Público pode se manifestar contra.
  8. A decisão de revogar é rápida? Depende do caso, mas em regra deve ser analisada com celeridade.
  9. Qual o prazo para o juiz decidir sobre o pedido? A lei não estabelece prazo específico, mas o STF recomenda urgência.
  10. A prisão domiciliar pode ser alternativa à preventiva? Sim, especialmente em casos de gestantes, mães de crianças pequenas ou pessoas doentes.

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Referências:

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DR JORGE GUIMARAES NOVO

Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203

Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.

Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).

Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.

Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.

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