Estado pagará R$ 150 mil a homem preso por engano no Recife
Imagine ser abordado pela polícia e descobrir que existe um mandado de prisão associado ao seu nome. Pior: passar meses tentando provar que o homem procurado é outra pessoa.
Foi o que aconteceu com Anderson Gabriel da Silva, de 26 anos. Abordado em Boa Viagem, no Recife, em janeiro de 2025, ele acabou preso por engano devido a uma falha de identificação. Anderson tinha o mesmo nome do verdadeiro investigado por um homicídio ocorrido em Goiana, e até o nome das mães coincidia.
Outros dados pessoais, porém, eram diferentes
Segundo as informações divulgadas pela imprensa, RG, CPF e data de nascimento não coincidiam. Mesmo assim, Anderson permaneceu no Cotel, em Abreu e Lima, até outubro de 2025.
Agora, a Justiça condenou o Estado de Pernambuco a pagar R$ 150 mil por danos morais. A decisão ainda admite recurso.
Homem preso por engano no Recife será indenizado após passar meses na prisão
O caso chama atenção pela quantidade de informações que poderiam ter revelado o erro.
O verdadeiro investigado era natural da Paraíba, enquanto Anderson residia em Pernambuco. Além disso, havia divergências nos documentos pessoais.
Mesmo assim, o jovem preso por engano foi levado ao sistema prisional e permaneceu encarcerado durante meses.
Outro ponto torna a história ainda mais grave: conforme divulgado pelo Diario de Pernambuco, o verdadeiro suspeito já havia sido preso em junho de 2024. O problema teria ocorrido porque o primeiro mandado permaneceu associado ao CPF de Anderson.
Ele chegou, inclusive, a participar de audiência criminal como réu preso, embora não tivesse relação com o homicídio investigado.
Na sentença, a magistrada classificou a situação como de “extrema gravidade” e destacou:
“Trata-se de violação profunda à dignidade da pessoa humana.”
Ser preso por engano, portanto, não significa apenas sofrer uma abordagem equivocada. Significa perder a liberdade e enfrentar consequências profissionais, familiares, sociais e emocionais.
A defesa pediu indenização de R$ 500 mil. A Justiça fixou R$ 150 mil, e o advogado da vítima informou que pretende recorrer buscando aumentar o valor.
Erro na identificação levou jovem preso por engano a permanecer meses no Cotel
A Constituição Federal protege a liberdade, a dignidade humana, o devido processo legal e a integridade da pessoa presa.
O artigo 5º também prevê indenização pelo Estado em caso de erro judiciário e prisão além do tempo determinado, além de estabelecer que a prisão ilegal deve ser imediatamente relaxada.
Para visualizar melhor como cada um desses fatores pesa na análise de um caso de prisão indevida, organizamos os critérios na tabela abaixo:
| Fator | O que pode ser observado |
|---|---|
| Tempo de prisão | Duração total do período em que a pessoa permaneceu detida indevidamente. |
| Origem da falha de identificação | Como e por que o erro entre a pessoa presa e o real investigado ocorreu. |
| Documentos que poderiam evitar o erro | Existência de dados como RG, CPF ou data de nascimento que divergiam do investigado. |
| Perda de emprego ou renda | Impactos financeiros decorrentes do período de encarceramento. |
| Danos psicológicos | Abalo emocional e psicológico sofrido pela pessoa presa. |
| Exposição e estigmatização | Repercussão social negativa associada à prisão equivocada. |
| Consequências familiares e profissionais | Efeitos do episódio sobre a vida familiar e a trajetória profissional. |
Isso demonstra por que uma prisão indevida pode produzir efeitos muito além do período atrás das grades. Mesmo depois da liberdade, a vítima pode continuar convivendo com as marcas daquele episódio.
Decisão de R$ 150 mil para homem preso por engano pode impactar casos semelhantes
A condenação não significa que toda prisão indevida resultará automaticamente em indenização de R$ 150 mil. Cada situação possui circunstâncias próprias.
Para quem foi preso por engano, entretanto, preservar documentos e provas pode fazer diferença na defesa dos seus direitos.
Entre as providências que podem ser avaliadas estão:
- buscar a liberdade imediatamente, caso a prisão ainda esteja ocorrendo;
- corrigir registros que possam provocar novos problemas;
- reunir provas dos prejuízos sofridos;
- identificar a origem do erro;
- avaliar eventual pedido de indenização contra o Estado.
O caso também serve de alerta para situações envolvendo homônimos. Conferir apenas nome e filiação pode ser insuficiente quando existem outros dados capazes de individualizar corretamente uma pessoa.
Advogado especialista em prisão injusta e indenização contra o Estado
Na Reis Advocacia, analisamos situações em que atos ou falhas do Poder Público possam ter provocado violações de direitos e prejuízos ao cidadão.
Cada caso de pessoa presa por engano precisa ser estudado individualmente. A duração da prisão, a origem da falha, os documentos existentes e os danos suportados podem modificar a estratégia jurídica.
Nosso trabalho busca unir atuação jurídica e informação acessível para que pessoas que enfrentam situações semelhantes compreendam seus direitos e os caminhos disponíveis.
Se você ou alguém próximo foi preso por engano, procure orientação de um advogado para analisar o caso e verificar quais providências jurídicas podem ser adotadas, a notícia do pagamento da indenização por parte do estado foi publicada por diversos portais, como Diário de Pernambuco e JC PE.
Perguntas frequentes sobre ser preso por engano
- Quem é preso por engano pode receber indenização?
Sim, dependendo das circunstâncias. É necessário analisar o erro ocorrido, a responsabilidade estatal, o período de prisão e os danos sofridos pela vítima.
- Quanto pode receber um preso por engano?
Não existe valor fixo. Tempo de encarceramento, gravidade do erro, danos psicológicos, perda de renda e consequências familiares podem influenciar a indenização.
- O que aconteceu com Anderson Gabriel?
Anderson foi preso por engano após ser confundido com um homônimo investigado por homicídio. Apesar das semelhanças nos nomes, havia diferenças em outros dados pessoais.
- Por quanto tempo Anderson ficou preso?
Ele foi detido em janeiro de 2025 e recuperou a liberdade em outubro daquele ano, após ser reconhecido o erro de identificação.
- Por que a indenização foi de R$ 150 mil?
A Justiça considerou a gravidade da violação sofrida. A defesa havia pedido R$ 500 mil e informou que pretende recorrer buscando aumentar a indenização.
- Perder o emprego pode ser considerado na indenização?
Sim. A perda de emprego ou renda pode ser relevante, desde que o prejuízo e sua relação com a prisão sejam devidamente demonstrados.
- Quais documentos a vítima deve guardar?
Mandado de prisão, alvará de soltura, decisões judiciais, documentos pessoais, comprovantes de renda e provas dos prejuízos são importantes.
- Além de danos morais, podem existir danos materiais?
Sim. Dependendo do caso, prejuízos financeiros comprovados também podem ser discutidos judicialmente.
- O que fazer depois de descobrir que a prisão ocorreu por erro?
É importante reunir a documentação do caso, corrigir eventuais registros incorretos e buscar orientação jurídica para avaliar as providências cabíveis.
- O Estado de Pernambuco ainda pode recorrer?
Sim. A decisão noticiada ainda admite recurso. A defesa da vítima também anunciou intenção de recorrer em relação ao valor da indenização.
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Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203
Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.
Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).
Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.
Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.



