Tentativa de homicídio: o que é, pena e como se defender
A Tentativa de homicídio é um dos temas mais delicados do Direito Penal brasileiro e gera inúmeras dúvidas tanto para quem está sendo acusado quanto para familiares e vítimas. Entender como a lei trata esse crime pode ser decisivo para garantir uma defesa justa, evitar abusos e compreender os seus direitos.
Se você chegou até aqui, provavelmente está enfrentando uma situação difícil ou quer se prevenir. E isso é extremamente importante. Ao longo deste conteúdo, você vai entender profundamente como funciona a Tentativa de homicídio, quais são suas consequências jurídicas e como agir estrategicamente diante de uma acusação.
A Tentativa de homicídio envolve riscos jurídicos severos, podendo resultar em prisão e consequências irreversíveis. Por isso, compreender cada detalhe pode ser a diferença entre uma condenação e uma defesa bem estruturada.
O que é a tentativa de homicídio?
A Tentativa de homicídio ocorre quando uma pessoa inicia a execução de um crime com a intenção de matar, mas não consegue consumá-lo por circunstâncias alheias à sua vontade. Essa definição está prevista no artigo 14, inciso II, do Código Penal brasileiro, que trata dos crimes tentados.
Para que se configure a Tentativa de homicídio, é indispensável a presença do chamado “animus necandi”, ou seja, a intenção de matar. Não basta que haja agressão ou violência; é necessário demonstrar que o agente realmente queria causar a morte da vítima.
Além disso, é preciso que haja início da execução do crime. Isso significa que o autor deve praticar atos concretos voltados à consumação do homicídio, como disparar uma arma ou desferir golpes com faca. Se houver apenas ameaça ou intenção sem execução, não há tentativa.
Outro ponto essencial é que o resultado morte não ocorra por fatores externos à vontade do agente, como o socorro imediato da vítima ou falhas na execução. Nesses casos, configura-se a Tentativa de homicídio.
Na prática, a distinção entre tentativa e lesão corporal é uma das mais discutidas nos tribunais. A diferença está na intenção. Enquanto a lesão corporal envolve a intenção de ferir, a Tentativa de homicídio exige a intenção de matar. Essa análise depende de provas, circunstâncias e do comportamento do agente.
Qual a pena para tentativa de homicídio?
A Tentativa de homicídio possui como base a pena do homicídio consumado, prevista no artigo 121 do Código Penal, que varia de 6 a 20 anos de reclusão. No entanto, por se tratar de tentativa, a lei determina uma redução.
Essa redução varia de um a dois terços, conforme o grau de execução do crime. Quanto mais próximo o agente estiver de consumar o homicídio, menor será a redução aplicada.
Na prática, o juiz analisa diversos fatores para definir a pena da Tentativa de homicídio, como a intensidade da conduta, o meio utilizado, as circunstâncias do fato e o comportamento do acusado.
A pena pode ser significativamente aumentada caso existam qualificadoras, como motivo torpe, motivo fútil, uso de meio cruel ou recurso que dificultou a defesa da vítima. Nessas hipóteses, a Tentativa de homicídio pode ter consequências ainda mais severas.
Do ponto de vista da defesa, existem diversas teses jurídicas que podem ser utilizadas. Entre elas, destaca-se a desclassificação para lesão corporal, quando não se comprova a intenção de matar. Também é possível alegar legítima defesa, ausência de provas ou excludentes de ilicitude.
Essas estratégias são fundamentais para reduzir a pena ou até mesmo alcançar a absolvição.
Qual a pena de um réu primário por tentativa de homicídio?
A pena para um réu primário em caso de tentativa de homicídio é analisada com base na legislação penal, levando em consideração principalmente a ausência de antecedentes criminais e o comportamento do acusado.
O ponto de partida é a pena do homicídio simples, que varia de 6 a 20 anos de reclusão. Como se trata de tentativa, a lei determina uma redução de um a dois terços dessa pena. Para o réu primário, essa redução costuma ser aplicada de forma mais favorável, especialmente quando não há circunstâncias que agravem a situação.
Na prática, o fato de ser réu primário permite que o juiz fixe a pena-base no mínimo legal e aplique a maior redução possível, principalmente quando a execução do crime não chegou perto da consumação. Com isso, a pena pode ser significativamente diminuída, podendo ficar em patamares mais baixos em comparação com outros casos.
Além disso, o réu primário pode se beneficiar de um regime inicial de cumprimento de pena mais brando, como o semiaberto ou até o aberto, dependendo da quantidade final da pena. Em algumas situações, também pode haver a substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos, desde que preenchidos os requisitos legais.
Outro ponto importante é que a condição de réu primário demonstra, em regra, menor periculosidade, o que influencia diretamente na decisão do juiz quanto à necessidade de prisão e à forma de cumprimento da pena.
Portanto, quando se trata de um réu primário, a pena por tentativa de homicídio tende a ser mais reduzida e pode variar conforme o caso concreto, mas geralmente fica em um patamar mais brando, especialmente quando não há agravantes e a defesa atua de forma estratégica.
Quem comete tentativa de homicídio pode responder em liberdade?
Sim, é possível que o acusado por Tentativa de homicídio responda em liberdade, dependendo das circunstâncias do caso. A prisão preventiva não é automática e deve ser justificada com base em critérios legais.
O juiz deve avaliar se há risco à ordem pública, possibilidade de fuga ou ameaça à vítima. Se esses elementos não estiverem presentes, a liberdade pode ser concedida.
Em muitos casos, a Justiça opta por aplicar medidas cautelares em substituição à prisão. Essas medidas podem incluir o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com a vítima e comparecimento periódico em juízo.
A Tentativa de homicídio exige uma análise criteriosa por parte do Judiciário, e a defesa deve atuar de forma estratégica para garantir os direitos do acusado.
Como um advogado pode ajudar nesse processo?
A atuação de um advogado especializado em Tentativa de homicídio é fundamental desde o início do processo. Um profissional experiente pode identificar falhas na investigação, questionar provas e construir uma defesa sólida.
O advogado pode atuar na busca pela liberdade do acusado, apresentar teses jurídicas relevantes e acompanhar todas as fases do processo. Entre as principais estratégias, destacam-se a negativa de autoria, a ausência de dolo e a legítima defesa.
Além disso, o advogado pode buscar a desclassificação da Tentativa de homicídio para lesão corporal, o que pode reduzir significativamente a pena.
Assim como ocorre em outros crimes complexos — como demonstrado no estudo sobre denunciação caluniosa — a atuação estratégica desde o início é determinante para o resultado final.
A Tentativa de homicídio é um tema complexo que exige conhecimento técnico e atuação estratégica. Ao longo deste artigo, você compreendeu o conceito, a pena, as possibilidades de liberdade e a importância da defesa jurídica.
Na Reis Advocacia, já auxiliamos diversas pessoas em situações envolvendo Tentativa de homicídio, oferecendo uma defesa técnica, estratégica e comprometida com resultados.
Sabemos que cada caso possui suas particularidades, e é por isso que analisamos cada detalhe com profundidade. Nosso compromisso é garantir que seus direitos sejam respeitados e que você tenha a melhor defesa possível.
Se você está enfrentando uma situação envolvendo Tentativa de homicídio, entre em contato com nossa equipe. Estamos prontos para te ajudar com seriedade, experiência e dedicação.
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Perguntas frequentes sobre o tema
- O que caracteriza a tentativa de homicídio?
A tentativa ocorre quando há intenção de matar, mas o resultado não se concretiza por fatores externos.
- Qual a pena da tentativa de homicídio?
A pena varia entre 1/3 a 2/3 da pena do homicídio consumado.
- Tentativa de homicídio é crime hediondo?
Pode ser, dependendo das qualificadoras.
- Cabe fiança?
Geralmente não na fase policial, mas há outras formas de liberdade.
- Pode responder em liberdade?
Sim, dependendo do caso.
- Qual a diferença para lesão corporal?
A diferença está na intenção de matar.
- Precisa de advogado?
Sim, é fundamental para garantir defesa adequada.
- Pode haver absolvição?
Sim, se não houver provas ou dolo.
- Quanto tempo dura o processo?
Depende da complexidade do caso.
- O que fazer ao ser acusado?
Procure imediatamente um advogado especialista.
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Referência:
- STJ – AgRg no REsp 1.734.734/MT (Homicídio Qualificado – Pronúncia e provas idôneas) – Decisão da Sexta Turma sobre a ilegalidade de sentença de pronúncia baseada exclusivamente em prova indireta no crime de homicídio qualificado e validação da pronúncia com base em provas idôneas.
Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203
Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.
Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).
Atuou em mais de 956 processos, sendo 293 processos administrativos disciplinares, com 95% de absolvições. Especialista em sessões do Tribunal do Júri, com mais de 10 sustentações orais e 100% de aproveitamento.
Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.




