A condenação de Bianca Andrade no processo de seu ex-empresário
Bianca Andrade, mais conhecida como Boca Rosa, figura influente nas redes sociais e empresária de sucesso, foi condenada pela Justiça de São Paulo a pagar uma indenização milionária ao seu ex-empresário, Flávio Thiago da Silva Luz. O caso, que envolve cerca de R$ 920 mil, teve origem na relação profissional mantida entre as partes entre os anos de 2015 e 2018.
Segundo consta nos autos, o empresário prestou serviços de agenciamento artístico e gerenciamento de carreira para Bianca Andrade. No entanto, após o encerramento informal do vínculo, firmado verbalmente, surgiram divergências quanto ao cumprimento das obrigações assumidas, principalmente quanto ao pagamento de comissões sobre trabalhos realizados durante o período.
O caso ganhou repercussão após a decisão judicial, que considerou válidos os documentos apresentados por Flávio Luz e reconheceu a dívida. Um dos pontos centrais foi a existência de um acordo verbal que previa o pagamento de comissões em parcelas, o qual teria sido descumprido por Bianca Andrade.
A juíza responsável proferiu a seguinte sentença: “Julgo procedente o pedido para condenar a ré ao pagamento da quantia de R$ 422.800,00 por danos materiais e R$ 80.000,00 por danos morais, corrigidos monetariamente e acrescidos de juros legais desde a citação, totalizando aproximadamente R$ 920.000,00”.
A condenação trouxe à tona discussões sobre contratos verbais, a importância de formalizações escritas em relações comerciais e os riscos de negligenciar aspectos jurídicos mesmo em relações de confiança.
Contexto jurídico: contratos, obrigações e verossimilhança das teses aplicadas
O caso de Bianca Andrade levanta importantes discussões jurídicas. A condenação teve como fundamento central o reconhecimento de um contrato verbal entre as partes, o que é plenamente válido no ordenamento jurídico brasileiro, desde que haja provas suficientes.
Principais fundamentos aplicados no caso:
- Validade dos contratos verbais: previstos nos artigos 104 e 107 do Código Civil, desde que contenham os elementos essenciais e possam ser comprovados.
- Teoria da aparência: utilizada para validar atos praticados sob uma relação aparente de representação e agenciamento.
- Boa-fé objetiva: princípio fundamental nos contratos, que impõe deveres de lealdade e confiança entre as partes.
- Danos morais e materiais: ambos reconhecidos pela jurisprudência quando demonstrada a conduta lesiva e o prejuízo causado.
A defesa de Bianca Andrade alegou, entre outras coisas, a prescrição da dívida e a ilegitimidade do empresário para mover a ação, o que foi rejeitado pela magistrada. Por outro lado, a parte autora conseguiu apresentar provas materiais que demonstraram a prestação dos serviços e as negociações sobre a comissão, mesmo que de forma informal.
Esse cenário é comum em relações de confiança no meio artístico, em que acordos verbais e relações amistosas acabam por substituir a formalidade contratual. No entanto, o caso evidencia como isso pode se tornar um problema jurídico relevante.
Repercussões legais e soluções jurídicas para influenciadores, agentes e empresários
A decisão envolvendo Bianca Andrade tem implicações importantes não apenas para ela, mas para todos os influenciadores, agentes e empresários do setor.
Repercussões legais:
- Reforço à formalização de contratos – O caso alerta profissionais sobre os riscos de acordos informais e a importância de ter cláusulas claras e documentadas.
- Reconhecimento de contratos verbais na Justiça – Mesmo sem contrato escrito, relações jurídicas podem ser reconhecidas judicialmente se houver provas.
- Direito à indenização por danos morais e materiais – Profissionais que sofrem prejuízos por inadimplemento contratual podem buscar reparação.
Soluções jurídicas para prevenir e resolver conflitos semelhantes:
- Redigir contratos de prestação de serviços com cláusulas detalhadas;
- Incluir cláusulas de rescisão, prazos e formas de pagamento;
- Formalizar e-mails, trocas de mensagens e comprovantes de pagamento;
- Consultar advogados especialistas antes de firmar ou romper parcerias;
- Utilizar testemunhas ou declarações formais nos casos de acordos verbais.
Nosso escritório atua diretamente na estruturação contratual e na resolução de litígios no segmento artístico e empresarial. Podemos auxiliar influenciadores e empresários na prevenção de riscos jurídicos semelhantes aos enfrentados por Bianca Andrade.
Advogado de Direito Empresarial e Direito Contratual
A condenação de Bianca Andrade escancara uma realidade recorrente nas relações comerciais informais. Apesar de sua popularidade e êxito como empresária, a ausência de um contrato escrito com seu ex-empresário lhe custou quase R$ 1 milhão.
Como advogado, enxergo esse caso como um alerta importante para o mercado de influenciadores digitais e empreendedores que confiam excessivamente em acordos verbais. A Justiça brasileira é clara ao reconhecer contratos sem formalização escrita, mas exige a comprovação inequívoca da relação jurídica, o que nem sempre é simples.
A decisão reforça o papel essencial da assessoria jurídica desde o início das relações comerciais. Caberá agora à defesa de Bianca Andrade avaliar a viabilidade de interposição de recurso, embora a sentença de primeira instância tenha sido bem fundamentada.
Como lição, este processo evidencia que mesmo figuras públicas e experientes podem incorrer em falhas contratuais, reforçando a necessidade de prevenção e orientação profissional contínua.
você é influenciador, empresário ou presta serviços por contrato, fale com um de nossos advogados especialistas. Juntos, podemos assegurar que seus direitos sejam protegidos.
Perguntas frequentes sobre o caso Bianca Andrade
- Bianca Andrade tinha contrato assinado com o empresário?
Não. Segundo o processo, o contrato era verbal, o que é juridicamente válido, desde que comprovado. - Contratos verbais são reconhecidos pela Justiça?
Sim. O Código Civil permite contratos verbais, desde que tenham provas de sua existência e dos serviços prestados. - Por que Bianca Andrade foi condenada?
A Justiça entendeu que ela reconheceu a dívida e não cumpriu o acordo verbal com o empresário. - Qual o valor da condenação de Bianca Andrade?
A condenação ultrapassa R$ 920 mil, somando danos materiais, morais, correção monetária e juros. - Bianca Andrade pode recorrer da decisão?
Sim. Trata-se de uma decisão de primeira instância e ainda cabe recurso ao Tribunal. - O que são danos materiais e morais?
Danos materiais referem-se a prejuízos financeiros comprovados. Danos morais envolvem sofrimento ou exposição indevida. - O que aprendemos com o caso de Bianca Andrade?
A importância de formalizar contratos e manter registros de todos os acordos profissionais. - Qual o papel do advogado em casos como este?
Orientar na elaboração de contratos e defender direitos em caso de descumprimento ou litígio. - A ausência de contrato escrito impede a cobrança judicial?
Não, desde que haja provas da relação e dos serviços prestados. - Como evitar problemas como os enfrentados por Bianca Andrade?
Formalizando contratos, guardando registros e buscando apoio jurídico desde o início da relação comercial.
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Referências:
G1 – Bianca Andrade é condenada a pagar cerca de R$ 920 mil em ação movida por ex-empresário
CNN – Boca Rosa é condenada a pagar quase R$ 1 milhão para ex-empresário
Dr. Tiago O. Reis, OAB/PE 34.925, OAB/SP 532.058, OAB/RN 22.557
Advogado há mais de 12 anos e sócio-fundador da Reis Advocacia. Pós-graduado em Direito Constitucional (2013) e Direito Processual (2017), com MBA em Gestão Empresarial e Financeira (2022). Ex-servidor público, fez a escolha consciente de deixar a carreira estatal para se dedicar integralmente à advocacia.
Com ampla experiência prática jurídica, atuou diretamente em mais de 5.242 processos, consolidando expertise em diversas áreas do Direito e oferecendo soluções jurídicas eficazes e personalizadas.
Atualmente, também atua como Autor de Artigos e Editor-Chefe no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados, orientações práticas e informações confiáveis para auxiliar quem busca justiça e segurança na defesa de seus direitos.

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