Blog

Lei Maria da Penha: Quando o Acusado Pode Ser Preso?

Lei Maria da Penha: descubra quando o acusado pode ser preso, como evitar prisões ilegais e quais direitos podem garantir sua liberdade.

lei maria da penha
Publicado em: | Atualizado em:

Lei Maria da Penha permite a prisão do acusado em determinadas situações, mas uma denúncia de violência doméstica não significa que ele será automaticamente preso.

Imagine descobrir que existe uma acusação contra você e que sua liberdade está ameaçada. O medo de ser preso, perder o emprego ou ficar afastado da família pode gerar enorme preocupação.

Mas você sabe quando a Justiça realmente pode determinar uma prisão?

Neste artigo, você descobrirá:

  • Quando ocorre a prisão em flagrante;
  • Quais consequências existem para quem descumpre medidas protetivas;
  • Quando a prisão preventiva pode ser decretada;
  • Como conseguir responder ao processo em liberdade;
  • Quais estratégias jurídicas podem proteger seus direitos.

A Lei Maria da Penha protege mulheres vítimas de violência doméstica, mas também exige respeito às garantias constitucionais do acusado.

Por isso, compreender como funciona a prisão na Lei Maria da Penha é fundamental para evitar erros que possam comprometer sua defesa.

jorge EC

Quando o acusado pode ser preso pela Lei Maria da Penha?

As duas hipóteses de prisão e suas exigências estão comparadas na tabela abaixo:

Prisão em flagrante x prisão preventiva
CritérioFlagrante delitoPrisão preventiva
Quando ocorreQuando alguém é surpreendido cometendo um crime ou nas demais hipóteses previstas no art. 302 do Código de Processo PenalQuando decretada judicialmente
Base legalArt. 302 do Código de Processo PenalArts. 312 e 313 do Código de Processo Penal
O que exigeControle judicial da legalidade da prisão, observadas as regras da audiência de custódiaDecisão judicial fundamentada, demonstrando a necessidade concreta da prisão

A Lei Maria da Penha não autoriza prisões automáticas baseadas exclusivamente na existência de uma denúncia. Cada situação exige análise das provas, dos riscos envolvidos e dos requisitos legais.

Entre as situações de flagrante, o artigo destaca o descumprimento de medidas protetivas, cujas consequências são tratadas a seguir.

 

Quais situações podem levar à prisão em flagrante por violência doméstica na Lei Maria da Penha?

A Lei Maria da Penha admite prisão em flagrante quando existem circunstâncias que caracterizam a prática de crime.

Entre as situações mais comuns estão:

  1. Agressão física: lesões corporais praticadas contra a vítima.
  2. Ameaças: intimidações criminosas identificadas em situação de flagrante.
  3. Violência psicológica: condutas que configuram crime previsto na legislação.
  4. Descumprimento de medida protetiva: violação de determinação judicial.

Por exemplo, se policiais presenciarem uma agressão doméstica, poderão realizar a prisão.

Contudo, a Lei Maria da Penha exige observância das garantias processuais, incluindo o controle judicial da legalidade da prisão.

 

O descumprimento de medida protetiva na Lei Maria da Penha pode causar prisão?

A pena prevista e as condutas que podem configurar o descumprimento estão resumidas no quadro abaixo:

Descumprimento de medida protetiva (art. 24-A)

2 a 5 anos Reclusão e multa

Pena prevista para quem descumpre decisão judicial que concede medidas protetivas, conforme a Lei nº 14.994/2024.

Entre as condutas proibidas podem estar:

  • Aproximar-se da vítima
  • Enviar mensagens quando houver proibição
  • Frequentar determinados locais
  • Retornar à residência contrariando ordem judicial

O acusado deve cumprir integralmente a decisão. Caso considere alguma restrição desproporcional, poderá solicitar sua revisão judicial, mas não pode desobedecer à ordem simplesmente por discordar dela.

Além do descumprimento, a prisão preventiva exige fundamentos concretos. O artigo trata, em seguida, dessas hipóteses e da duração da prisão.

 

Como agir diante de uma medida protetiva na Lei Maria da Penha?

O acusado deve cumprir integralmente a decisão e procurar orientação jurídica.

Caso considere alguma restrição desproporcional, poderá solicitar sua revisão judicial.

A Lei Maria da Penha não permite que o investigado desobedeça à ordem simplesmente por discordar dela.

 

Quando a Justiça pode decretar a prisão preventiva na Lei Maria da Penha?

A prisão preventiva na Lei Maria da Penha exige fundamentos concretos previstos nos artigos 312 e 313 do Código de Processo Penal.

Entre as situações que podem justificar a medida estão:

  • Risco à integridade da vítima;
  • Ameaças contra testemunhas;
  • Reiteração de comportamentos criminosos;
  • Tentativas de prejudicar a investigação;
  • Necessidade de garantir medidas protetivas.

Entretanto, a Lei Maria da Penha não dispensa a demonstração da necessidade da prisão.

A gravidade abstrata da acusação, isoladamente, não constitui fundamento suficiente.

jorge FA

Quanto tempo o acusado pode ficar preso pela Lei Maria da Penha?

Os marcos de controle judicial da prisão aparecem na linha do tempo abaixo:

Controle judicial e revisão da prisão

  1. Prisão em flagrante Deve ocorrer o controle judicial, observadas as regras da audiência de custódia.
  2. Prisão preventiva Não possui prazo máximo geral previamente determinado.
  3. A cada 90 dias Revisão periódica da necessidade da prisão preventiva, pelo órgão competente (art. 316 do CPP).

A ausência dessa revisão não gera soltura automática, mas pode fundamentar questionamento judicial. A Lei Maria da Penha não estabelece prazo único de prisão.

Por fim, o artigo trata da possibilidade de o acusado responder ao processo em liberdade e das alternativas previstas à prisão.

 

O acusado pode responder em liberdade após uma denúncia pela Lei Maria da Penha?

Sim. A Lei Maria da Penha não determina prisão obrigatória após uma denúncia.

Quando inexistirem fundamentos para prisão preventiva, o acusado poderá responder em liberdade.

 

Quais alternativas à prisão existem na Lei Maria da Penha?

Dependendo das circunstâncias, poderão ser aplicadas:

  • Proibição de aproximação;
  • Proibição de contato;
  • Comparecimento periódico em juízo;
  • Monitoramento eletrônico;
  • Outras medidas cautelares adequadas.

A Lei Maria da Penha deve ser aplicada respeitando a presunção de inocência, o contraditório e a ampla defesa.

 

Como um advogado criminalista pode ajudar o acusado na Lei Maria da Penha?

A defesa especializada em Lei Maria da Penha pode ser decisiva para identificar ilegalidades e apresentar pedidos juridicamente fundamentados.

Entre as principais medidas estão:

  1. Acompanhar a audiência de custódia;
  2. Solicitar liberdade provisória;
  3. Requerer revogação da prisão preventiva;
  4. Impetrar habeas corpus;
  5. Analisar provas e apresentar defesa técnica.

 

Quais teses jurídicas podem ser utilizadas na Lei Maria da Penha?

As principais teses incluem ausência dos requisitos da prisão preventiva, fundamentação insuficiente, ilegalidade do flagrante e possibilidade de aplicação de cautelares alternativas.

Na Lei Maria da Penha, cada estratégia depende das provas e circunstâncias específicas.

jorge EC

Perguntas frequentes sobre a Lei Maria da Penha

  1. Uma denúncia pela Lei Maria da Penha causa prisão imediata?

Não. A denúncia isoladamente não determina prisão automática. É necessário existir flagrante ou decisão judicial fundamentada nos requisitos legais.

  1. O acusado primário pode ser preso pela Lei Maria da Penha?

Sim. A primariedade não impede a prisão quando existem fundamentos concretos. Entretanto, pode ser considerada na análise da necessidade da medida.

  1. É possível conseguir liberdade provisória?

Sim. Quando não existem requisitos suficientes para manter a prisão, o juiz poderá conceder liberdade provisória, eventualmente com medidas cautelares.

  1. A vítima pode retirar a denúncia?

Depende do crime. Em delitos de ação penal pública incondicionada, como lesão corporal praticada em contexto de violência doméstica contra mulher, a vontade da vítima não encerra automaticamente o processo.

  1. Enviar mensagens pode causar prisão?

Sim, quando existe proibição judicial de contato e estão presentes os requisitos legais. Mesmo mensagens aparentemente inofensivas podem caracterizar descumprimento da ordem.

 

Leia também:

Aborda as alterações legislativas, especialmente a proteção da identidade das vítimas e o sigilo nos processos judiciais de violência doméstica.

Analisa a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a aplicação de medidas protetivas a pessoas LGBTQIA+ em situações de violência doméstica.

Esclarece os requisitos para solicitar medidas protetivas de urgência, os tipos de proteção disponíveis e os procedimentos judiciais.

Explica como identificar a violência psicológica, quais condutas podem configurar crime e como buscar proteção jurídica com fundamento na Lei Maria da Penha.

 

Referências:

O Superior Tribunal de Justiça decidiu que as medidas protetivas de urgência devem permanecer em vigor enquanto existir risco à mulher, sem prazo fixo de validade. A proteção não depende da existência de inquérito policial ou ação penal.

DR JORGE GUIMARAES NOVO

Sócio e Advogado – OAB/PE 41.203

Advogado criminalista, militar e em processo administrativo disciplinar, especializado em Direito Penal Militar e Disciplinar Militar, com mais de uma década de atuação.

Graduado em Direito pela FDR-UFPE (2015), pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil (ESA-OAB/PE) e em Tribunal do Júri e Execução Penal. Professor de Direito Penal Militar no CFOA (2017) e autor do artigo "Crise na Separação dos Três Poderes", publicado na Revista Acadêmica da FDR (2015).

Atualmente, também é autor de artigos jurídicos no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.

Escreva seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *