Policial Militar obtém liminar sobre documentos do PASEP
Policial Militar obtém liminar sobre documentos do PASEP depois de enfrentar uma situação que causa preocupação a muitos servidores públicos: encontrar um saldo aparentemente incompatível com anos de trabalho e, ao tentar compreender o que ocorreu, não conseguir acesso imediato aos registros bancários.
L.S.B.T., primeiro-sargento da Polícia Militar de Pernambuco, procurou o Banco do Brasil para solicitar os extratos analíticos e as microfilmagens de sua conta individual. Ele precisava verificar possíveis retiradas, identificar movimentações antigas e reunir documentos para uma eventual análise contábil.
O pedido tinha uma razão concreta. No momento do saque, o servidor havia encontrado um valor que considerava irrisório. Porém, sem o histórico completo, não era possível concluir se existia erro, saque indevido, pagamento regular, falta de atualização ou outra ocorrência.
Segundo a decisão judicial, a instituição informou que as microfilmagens somente estariam disponíveis em prazo mínimo de três meses. Diante da demora, o servidor encaminhou uma notificação extrajudicial, mas não recebeu a documentação no período solicitado.
Foi nesse momento que a Reis Advocacia, por meio do advogado que assina este artigo e com o auxílio dos demais profissionais do escritório, organizou a estratégia jurídica. Em vez de propor imediatamente uma ação de cobrança baseada apenas em suspeitas, a equipe buscou primeiro a prova.
A medida escolhida foi uma ação de produção antecipada de provas, com pedido de exibição de documentos e tutela de urgência.
A 4ª Vara Cível da Comarca de Olinda reconheceu a necessidade da providência e determinou que o Banco do Brasil apresentasse, em quinze dias, os extratos analíticos completos e as microfilmagens referentes a todo o período de administração da conta. A decisão também fixou multa diária de R$ 500,00, limitada a R$ 20.000,00, para o caso de descumprimento injustificado.
A decisão não declarou que houve desfalque nem concedeu indenização. Ela garantiu algo anterior e indispensável: o direito de conhecer os documentos necessários para avaliar o que realmente aconteceu.
Como começou o caso envolvendo os documentos do PASEP?
O caso começou com uma dúvida que não podia ser resolvida por um extrato simplificado.
O servidor precisava saber se os valores registrados em sua conta correspondiam à realidade de sua vida funcional. Para isso, era necessário examinar:
- extratos analíticos completos;
- microfilmagens de movimentações antigas;
- registros de saques;
- créditos realizados;
- pagamentos por folha;
- documentos capazes de demonstrar a origem de cada lançamento.
Um saldo baixo, isoladamente, não prova irregularidade. Pode haver pagamentos regularmente efetuados, saques autorizados, créditos em outra conta ou lançamentos cuja descrição não é facilmente compreendida pelo titular. Também pode existir falha bancária, retirada não reconhecida ou ausência de documentos que expliquem determinada movimentação.
Por isso, a atuação responsável exige prudência. Antes de pedir indenização, é necessário identificar a existência do dano. L.S.B.T. procurou a instituição financeira e pediu a documentação. A resposta, conforme narrado no processo, foi a necessidade de aguardar pelo menos três meses.
Essa espera representava mais do que um inconveniente. A documentação seria utilizada para realizar cálculos e avaliar a viabilidade de uma futura ação judicial. A equipe da Reis Advocacia demonstrou que havia uma solicitação anterior não atendida em prazo razoável. Também comprovou a notificação extrajudicial, circunstância relevante para demonstrar o interesse de agir.
A tentativa administrativa é importante porque mostra que o processo não foi iniciado de forma precipitada. Quando o banco entrega voluntariamente os arquivos, a intervenção judicial pode ser desnecessária. Quando há recusa, silêncio, demora excessiva ou resposta incompleta, surge a necessidade de buscar o Judiciário.
No caso, a magistrada considerou que a demora informada pela instituição caracterizava resistência suficiente. A decisão também registrou que nenhuma taxa administrativa havia sido exigida do autor. Com isso, a dúvida do servidor deixou de depender apenas da espera administrativa e passou a ser tratada por meio de uma ordem judicial clara, com prazo e consequência para eventual descumprimento.
Por que os documentos do PASEP são tão importantes?
Os documentos históricos são essenciais porque revelam a movimentação efetivamente realizada. O extrato simples nem sempre apresenta detalhes suficientes. Lançamentos antigos podem aparecer por códigos, abreviações ou descrições que exigem interpretação. As microfilmagens podem conter assinaturas, recibos, comprovantes de saque, autorizações e outras informações que não constam no relatório resumido.
Esses arquivos permitem três conclusões possíveis.
- A primeira é a confirmação de que os pagamentos foram regulares. Nesse caso, evita-se uma ação sem fundamento.
- A segunda é a identificação de movimentações que exigem esclarecimentos adicionais. Pode ser necessário comparar os lançamentos com contracheques, fichas financeiras ou extratos de outra conta.
- A terceira é o surgimento de indícios concretos de saque indevido, desfalque ou falha operacional, o que pode justificar uma ação de cobrança ou indenização.
A própria decisão destacou essa importância ao afirmar:
“O acesso à documentação é pressuposto lógico e indispensável para a apuração da ocorrência ou não do dano.”
A frase demonstra que a exibição não é uma formalidade. Sem os documentos, o titular não consegue confirmar nem afastar sua suspeita. Outro ponto relevante é a prescrição. Nas ações que discutem desfalques em contas individuais, o Superior Tribunal de Justiça fixou prazo de dez anos, contado a partir do momento em que o titular comprovadamente toma conhecimento da irregularidade.
Por isso, o acesso aos registros precisa ocorrer em tempo hábil. Não basta saber que existe um saldo baixo. É necessário descobrir quando ocorreu a movimentação, como ela foi realizada e em que momento o servidor teve ciência do possível problema.
Também é importante distinguir os tipos de lançamento. Uma retirada realizada diretamente em agência pode exigir uma prova diferente daquela relacionada a crédito em conta ou pagamento por folha salarial. A documentação determina, em grande parte, qual será a tese jurídica, quem deve produzir a prova e qual providência poderá ser adotada.
- Quais fundamentos garantiram a liminar sobre o PASEP?
A decisão favorável foi baseada principalmente na produção antecipada de provas, no interesse processual e nos requisitos da tutela de urgência.
Produção antecipada de provas e exibição de documentos do PASEP
A produção antecipada de provas permite que uma pessoa obtenha elementos necessários para conhecer os fatos antes de propor uma ação principal. Esse procedimento evita que alguém ajuíze uma cobrança baseada apenas em impressão ou desconfiança. Primeiro, busca-se a documentação. Depois, avalia-se se existe fundamento para prosseguir.
No caso analisado, a finalidade estava bem definida: obter extratos e microfilmagens para realizar cálculos e verificar a possibilidade de futura demanda. A magistrada considerou adequada a medida e fundamentou a decisão nos artigos 300, 381, 396 e seguintes do Código de Processo Civil.
O pedido também foi específico. A parte não solicitou documentos genéricos ou arquivos sem relação com o conflito. Buscou registros vinculados à própria conta e ao período de sua administração. Essa delimitação é importante porque demonstra utilidade e evita pedidos excessivamente amplos.
Interesse de agir e tentativa extrajudicial
O interesse de agir está relacionado à necessidade da intervenção judicial. Para demonstrá-lo, é recomendável que o interessado comprove que tentou obter os documentos diretamente com a instituição. Protocolos, notificações, e-mails e respostas bancárias ajudam a construir essa prova.
No caso de L.S.B.T., a decisão mencionou expressamente a notificação extrajudicial e o prazo de três meses informado pelo banco. O juízo concluiu que havia resistência ou demora injustificada, reconhecendo a necessidade da ação. Isso mostra a importância de preservar todos os registros do atendimento administrativo.
Um pedido apenas verbal pode ser difícil de comprovar. Já uma solicitação documentada permite demonstrar:
- a data do requerimento;
- os arquivos solicitados;
- a resposta da instituição;
- o prazo informado;
- eventual cobrança de taxa;
- o não atendimento.
Tutela de urgência
A tutela de urgência depende da probabilidade do direito e do perigo de dano. A probabilidade foi reconhecida porque o servidor era titular da conta, havia solicitado os documentos e precisava deles para analisar possíveis movimentações. O perigo de dano estava no risco de comprometimento do direito material. A demora poderia prejudicar a realização de cálculos e a preparação de eventual ação antes do escoamento do prazo prescricional.
A magistrada também entendeu que a medida era reversível, pois se limitava à entrega de cópias de registros relacionados ao próprio requerente.
Ao conceder a liminar, determinou que o banco apresentasse:
“os extratos analíticos completos e as microfilmagens vinculadas à conta.”
A ordem estabeleceu prazo de quinze dias e fixou multa diária em caso de descumprimento injustificado.
O que o Tema 1.150 do STJ esclarece sobre o PASEP?
O Tema 1.150 do Superior Tribunal de Justiça é um dos principais precedentes sobre contas individuais. O julgamento definiu que o Banco do Brasil pode responder por ações relacionadas a falhas na prestação do serviço, saques indevidos e desfalques ocorridos durante a administração das contas.
Também estabeleceu o prazo prescricional de dez anos e definiu que a contagem começa no momento em que o titular comprovadamente toma conhecimento da irregularidade. Essas teses são importantes, mas não garantem indenização automática. Cada servidor precisa demonstrar os fatos de seu próprio caso. O precedente fornece a orientação jurídica geral, enquanto os extratos, comprovantes e microfilmagens demonstram o que aconteceu individualmente.
É necessário responder, entre outras questões:
- qual lançamento está sendo contestado;
- em que data ocorreu;
- como o valor teria sido pago;
- se existe recibo ou assinatura;
- se houve crédito em outra conta;
- quando o titular descobriu a movimentação;
- qual prejuízo pode ser calculado.
Sem essa individualização, a referência ao precedente pode não ser suficiente. Também é importante identificar a natureza de cada débito. Quando a movimentação foi realizada em caixa de agência, a responsabilidade probatória pode ser diferente daquela aplicável a créditos em conta ou pagamentos por folha. Por isso, o exame documental é anterior à escolha definitiva da tese.
Quais lições esse caso traz para servidores públicos?
A primeira lição é que uma suspeita deve ser investigada, mas não transformada imediatamente em certeza. Encontrar um valor baixo pode gerar revolta, frustração e sensação de injustiça. Ainda assim, a conclusão jurídica depende dos documentos. A segunda lição é que o tempo importa.
A discussão sobre a data em que o servidor tomou conhecimento da possível irregularidade pode ser decisiva. Adiar a análise por muitos anos aumenta o risco de debate sobre prescrição e perda de provas. A terceira lição é que nem todo extrato possui a mesma utilidade. Um relatório resumido pode não apresentar informações suficientes. Em muitos casos, será necessário pedir microfilmagens, comprovantes de saque e registros específicos.
A quarta lição é que uma liminar para exibição não representa vitória em uma ação de indenização. Ela garante acesso à prova. Depois, os documentos precisam ser examinados por advogado e, quando necessário, por contador. A quinta lição é que a atuação profissional pode interromper um ciclo de incerteza.
No caso narrado, a Reis Advocacia transformou uma espera sem prazo seguro em uma ordem judicial objetiva. O cliente passou a ter um caminho definido para conhecer os próprios registros.
Quais desafios aparecem em ações sobre documentos do PASEP?
Mesmo depois da concessão da liminar, o processo pode enfrentar dificuldades. A instituição pode alegar que não recusou o pedido, mas apenas informou prazo operacional. Pode sustentar que os documentos já foram entregues, que o requerimento era genérico ou que determinados registros não estão disponíveis.
Também pode apresentar arquivos incompletos. Extratos podem abranger apenas parte do período. Microfilmagens podem estar ilegíveis ou sem correspondência clara com os lançamentos.
Nessas situações, o advogado deve apontar exatamente o que falta. Não basta dizer que a documentação é insuficiente. É necessário identificar páginas, datas, períodos e operações ausentes. Outro desafio é a antiguidade dos arquivos. Assinaturas apagadas, números pouco visíveis e imagens de baixa qualidade podem exigir perícia ou nova diligência.
Há ainda a discussão sobre a origem da diferença. Nem todo problema está ligado a uma falha operacional do Banco do Brasil. Algumas controvérsias podem envolver critérios de atualização, pagamentos realizados por outros meios ou informações sob a guarda do órgão empregador. Por isso, escolher corretamente o réu e a tese é uma etapa decisiva.
Como funciona a ação e como um advogado pode ajudar
O trabalho começa com a análise do histórico do servidor. O advogado verifica quando o saldo foi consultado, quais documentos já foram entregues, se houve pedido administrativo e qual resposta foi apresentada. Depois, é necessário formular um requerimento específico, indicando o período e os registros pretendidos. Se a instituição não atender em prazo razoável, poderá ser avaliada a medida judicial.
A petição deve demonstrar:
- a relação do titular com a conta;
- o pedido administrativo;
- a falta de atendimento;
- a finalidade dos documentos;
- a urgência;
- a delimitação dos registros necessários.
Após a entrega, o material precisa ser conferido. A Reis Advocacia analisa se o período está completo, se os arquivos estão legíveis e se os lançamentos possuem documentos correspondentes.
Quando necessário, os dados são encaminhados para análise contábil. A atuação dos profissionais do escritório, foi essencial para organizar os fatos, demonstrar a urgência e obter a determinação judicial. O direito de acesso à informação já existia. A estratégia jurídica tornou possível exercê-lo de maneira concreta.
Advogado para ação judicial sobre documentos do PASEP
O caso de L.S.B.T. mostra que a dificuldade de obter informações não precisa encerrar a busca por esclarecimentos. O servidor procurou administrativamente a instituição, mas recebeu a informação de que teria de aguardar pelo menos três meses. Diante da demora, a Reis Advocacia levou a questão ao Judiciário.
A 4ª Vara Cível da Comarca de Olinda determinou a apresentação dos extratos analíticos e das microfilmagens no prazo de quinze dias. A decisão também concedeu justiça gratuita e fixou multa para o caso de descumprimento injustificado. A medida não reconheceu automaticamente a existência de valores a receber. Ela garantiu acesso aos documentos necessários para investigar os fatos.
Essa diferença precisa ser compreendida. A documentação pode confirmar a regularidade, revelar movimentações suspeitas ou indicar a necessidade de novos pedidos. Somente após essa análise será possível avaliar uma ação de cobrança ou indenização.
O trabalho desenvolvido pelos profissionais da Reis Advocacia, foi fundamental para transformar uma situação de incerteza em uma providência judicial efetiva. Quem encontra um saldo aparentemente incompatível, recebe documentos incompletos ou enfrenta demora excessiva pode buscar orientação jurídica para avaliar o caso.
Acesse o tribunal e saiba mais sobre o processo.
Processo de referência: 0006680-33.2025.8.17.2990
Perguntas frequentes sobre documentos do PASEP
- O que é uma ação de exibição de documentos?
É uma medida usada para obter registros que estejam sob a guarda de outra pessoa ou instituição e sejam necessários para conhecer os fatos ou preparar uma ação futura.
- Saldo baixo garante indenização?
Não. O saldo reduzido pode justificar uma investigação, mas a indenização depende da prova de irregularidade, prejuízo e responsabilidade.
- É preciso pedir os documentos antes de entrar na Justiça?
A tentativa administrativa é muito importante. Ela demonstra que o titular buscou resolver a situação sem processo e permite comprovar eventual recusa ou demora.
- Quais documentos podem ser solicitados?
Podem ser pedidos extratos analíticos, microfilmagens, comprovantes de saque, registros de crédito e outros documentos relacionados à conta individual.
- O que são microfilmagens?
São reproduções de documentos antigos armazenadas por tecnologia de microfilmagem. Elas podem conter recibos, assinaturas e autorizações bancárias.
- Qual é o prazo prescricional?
O STJ definiu prazo de dez anos nas ações sobre desfalques, contado da ciência comprovada da possível irregularidade.
- O Banco do Brasil responde por qualquer diferença?
Não. É necessário identificar se a controvérsia está relacionada à administração operacional, saque indevido ou outro fato atribuível à instituição.
- A liminar significa que o servidor já ganhou indenização?
Não. A liminar garante acesso à prova. A existência de valores a receber depende da análise posterior dos documentos.
- O que fazer quando os arquivos estão incompletos?
O advogado pode pedir complementação, indicando os períodos, lançamentos ou documentos que não foram apresentados.
- Como a Reis Advocacia pode ajudar?
O escritório pode analisar o histórico, organizar o pedido administrativo, ajuizar a medida adequada, acompanhar o cumprimento e avaliar os documentos apresentados.
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Dr. Tiago O. Reis, OAB/PE 34.925, OAB/SP 532.058, OAB/RN 22.557
Advogado especializado em ações que envolvem militares há mais de 12 anos, ex-2º Sargento da Polícia Militar e Diretor do Centro de Apoio aos Policiais e Bombeiros Militares de Pernambuco. Atuou em mais de 3039 processos em defesa da categoria, obtendo absolvições em PADs, processos de licenciamento e conselhos de disciplina.
Criou teses relevantes, como o Ação do Soldo Mínimo, Auxílio-transporte, Promoção Decenal da Guarda e Fluxo Constante de Promoção por Antiguidade.
Foi professor de legislação policial e sindicante em diversos processos administrativos. Pós-graduado em Direito Constitucional e Processual, com MBA em Gestão Empresarial, é referência na luta por melhores condições jurídicas e de trabalho aos militares.
Atualmente, também é autor de artigos e e Editor-Chefe no Blog da Reis Advocacia, onde compartilha conteúdos jurídicos atualizados na área de Direito Criminal, Militar e Processo Administrativo Disciplinar, com foco em auxiliar militares e servidores públicos na defesa de seus direitos.




